A vida é a fonte de vida.
De um corpo que vibra,
Nasce um corpo que respira
Matéria cria matéria
E a carne se faz eterna.
Quando falamos de Gaia, surge imediatamente um arquétipo de beleza e delicadeza. Flores, raízes, pássaros e borboletas demonstram aquilo que entendemos como a “mãe natureza”. Mas foi na noite mais escura de outono, enquanto meus galhos apodreciam, que eu vi a face mais leal da deusa. A que nasceu diretamente do Caos. A imagem de mãe doce e acolhedora não faz jus a todo seu poder. Ela é a primeira criação do Caos, o reflexo vivo de todas as possibilidades. Cultuar Gaia também é lidar com as partes duras da criação: as dores do parto, os sacrifícios, os erros, as cobranças. Gaia também é sombra, é medo, é morte, é tão desconhecida quanto a escuridão. Gaia pode te guiar para o fundo do abismo, se lá houver algo que lhe pertence. Pois não há vida sem morte. Não há justiça sem perdas, não há ordem sem caos. Cultuar Gaia é pra quem tem a ousadia de viver.

No meu jardim há muitas flores
De tantas formas e cores
Tantos nomes desconhecidos
Tantos sussurros, tantos gritos
No meu jardim, em cantos ancestrais
A força de tudo que ousa existir
Nascer, morrer, renascer