Você já foi sozinha a algum show? E a algum festival? Esse é um texto-convite.
Nesse momento, escrevo voltando do Lollapalooza de 2026 e é doido pensar como a música acompanha o meu caminho. Voltando de mais um evento, percebo o quanto faz com que minha vida ganhe cor, ganhe som. Parece que ela empresta à dinâmica dos dias monótonos outro sentido.
Voltando um pouco, te digo que há anos faço o exercício de escolher viver experiências lindas com a música, sozinha. Em uma

delas, saindo do Rio de Janeiro, minha mãe me acompanhava com a expressão no rosto de: “ela precisava fazer isso?”. Bom, sinto que ela tem orgulho de ver alguém como ela. Era meia noite quando peguei o ônibus em direção à São Paulo para viver pela primeira vez esse mesmo festival. Eu sentia que precisava assistir ao show da Rosalía, artista pop catalã, e não tinha companhia, mas a minha, sempre.
Quando gosto de uma artista ou álbum, faço questão de escutá-lo de uma ponta a outra, sem interrupções, como um disco físico, e com o “Motomami” não foi diferente. Nasceu em março de 2022 e em março de 2023, depois de tê-lo revirado inúmeras vezes, usando uma blusa da Lady Gaga, um jeans confortável e meu all star preto de cano alto, comprei um hambúrguer, e saí com uma pequena mochila para ocupar a grade que ansiei por um ano. Lembro do frio na barriga de escolher algo por mim e acredito ter sido como ir ao primeiro date com o amor da minha vida (eu).
Por estar só, dizendo: “dá licença, dá licença”, me infiltrei na plateia e cheguei lá. Quando dei de cara com a minha artista, senti-me grata por estar viva. Grata, por ter coragem de me arriscar. Grata, por escutar milhares de pessoas cantando o espanhol catalão duvidoso, como o meu. Sendo bastante sincera, até hoje não entendo muitas de suas letras, não fiz questão de traduzir, só pela emoção de escutar o desconhecido, ou quase isso. Dividi esse sentimento com tantos que saíram de suas casas e escolheram viver suas próprias experiências. Quando aquela multidão de pessoas que sonham, ligaram as lanternas de seus celulares, todo aquele brilho me fez perceber que essa foi a escolha certa e que a faria sempre que possível.
Em resumo, se a sua artista está conversando com você, todos os dias, contando histórias, revivendo suas memórias, fazendo com que se sinta forte, viva, agradecida por estar viva, vá atrás dela. Sozinha? Por que não?
Na verdade, não estamos falando só de festivais. Sempre que possível, sempre que necessário, se você precisar sair, saia.