Uma roda de conversa, chuva fina e mulheres pensando o Brasil

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Uma roda de conversa, chuva fina e mulheres pensando o Brasil

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Cheguei à Casa Azul Jardinagem, em Santos, sob uma garoa leve que parecia abençoar o encontro. O espaço, grande e acolhedor, estava cheio de vida: plantas sendo comercializadas, cerâmicas artesanais, cosméticos naturais e uma pequena feira que já dava o tom do que viria pela frente — um ambiente familiar, vivo, comunitário.

A trilha sonora daquele começo de encontro era da banda Meles, formada por mulheres. Em dupla — embora sejam um trio — elas apresentavam covers de rock nacional e pop rock. O clima era de celebração: famílias, crianças, mães, homens, mulheres mais velhas, mulheres jovens. Um público diverso, reunido ali com uma disposição rara de escutar e participar.

Depois da música, o público entrou para assistir à apresentação da palhaça Matrioska, que encantou especialmente as crianças. O ambiente era profundamente familiar e acolhedor — daqueles encontros em que arte, convivência e cultura se misturam naturalmente.

Foi então que nos encaminhamos para a sala onde aconteceria a roda de conversa sobre políticas públicas para mulheres no Brasil.

A roda durou cerca de uma hora e vinte minutos, e foi uma experiência profundamente potente. Tivemos uma conversa franca sobre o Brasil ser um país que possui um conjunto de políticas públicas para mulheres reconhecido internacionalmente. Ao mesmo tempo, discutimos os desafios que ainda persistem para que essas políticas sejam efetivamente conhecidas e acessadas pela população.

Falamos muito sobre a democracia ser exercida além do voto, mas também pela participação cidadã. Relembramos experiências como os orçamentos participativos, os conselhos municipais e outros espaços de controle social onde a população pode participar das decisões públicas. Esses mecanismos são fundamentais para aproximar as políticas públicas da vida real das pessoas.

Um dos pontos que apareceu com muita força foi justamente a distribuição de informação. Muitas políticas existem, muitos programas estão disponíveis, mas a população — e especialmente as mulheres — muitas vezes não sabe que esses direitos e serviços existem.

Outro tema que atravessou toda a conversa foi o potencial das redes femininas. Redes de apoio, escuta, mobilização e cuidado que, muitas vezes, conseguem chegar onde o Estado não chega.

A plateia participou com muita atenção. Havia homens presentes, e um comentário que ouvi ao final me marcou bastante: alguns disseram que a conversa havia tirado eles da zona de conforto e quebrado expectativas sobre o que imaginavam ser um bate-papo entre mulheres.

Como jornalista, foi uma grande alegria mediar essa roda. Senti-me profundamente valorizada pelo convite, pela escuta do público e pela qualidade das convidadas que dividiram esse momento comigo.

Aurélia Rios é uma mulher inspiradora, com uma trajetória muito consistente na área da saúde e da participação social.
Gabriela Ortega é uma mulher forte, combativa, com uma atuação muito sólida no campo do direito, da moradia e da defesa das comunidades.

A troca que tivemos ali foi verdadeira, profunda e generosa.

Ao final, saí com a sensação de que encontros como esse são exatamente o que precisamos multiplicar: espaços onde arte, convivência, reflexão política e participação cidadã possam acontecer juntas.

Porque pensar o futuro das mulheres é, na verdade, pensar o futuro da própria democracia.

E naquele sábado, em meio à chuva fina, à música e às plantas da Casa Azul, tivemos um pequeno e potente exercício disso.

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