Quando a civilização custa a vida

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Quando a civilização custa a vida

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Frequentemente me pego pensando sobre a civilidade, sobre o que é considerada uma sociedade civilizada. As escolhas feitas para construir essa definição nos custaram caro: custaram a vida de povos originários, da natureza, da dignidade de ser mulher, dos benefícios dos alimentos, do ar puro, das águas limpas e de uma terra propícia à vida.

Essa tal sociedade civilizada derrubou árvores sob o argumento do progresso, inventou a moeda e o dinheiro para hierarquizar a existência e estabelecer relações de dominação sobre quem não detém esse tal PODER. Subjugou outras cosmologias em nome de um Deus impiedoso e cruel, uma religiosidade que se apropriou das culturas que exterminou para exercer domínio sobre as vidas de outros povos.

Instituiu guerras por terra e utilizou o estupro como arma para exterminar sociedades matriarcais em diferentes territórios. Segundo Mãe Flavia Pionto, no livro Salve o Matriarcado, o manual da mulher búfala, o estupro foi usado para acabar com o respeito às lideranças femininas. Ou seja, da violência contra nossos corpos aos venenos nas comidas, da desigualdade social à emergência climática, do racismo a todas as discriminações de gênero, classe e raça, tudo tem origem no mesmo ponto: o patriarcado.

De que adianta morar no prédio mais alto de Santos, se o mar avança e a ilha de São Vicente, quem sabe, um dia não exista mais? De que adianta usar a calcinha mais bonita, se os tecidos sintéticos e apertados adoecem a pele, nosso maior órgão? De que adianta uma conta bancária cheia, se o veneno está presente em tudo o que comemos: peixes com microplásticos, aves, bovinos e suínos cheios de hormônios, vegetais encharcados de agrotóxicos que nos intoxicam com metais pesados? E o ar… esse já discutimos há tempos, insalubre.

Também me pergunto sobre a necessidade de criar rotinas. Rotinas são para máquinas, para sistemas automatizados. Desde quando nos tornamos robôs? De onde vem toda a mecanicidade do cotidiano? A sociedade exige indivíduos produtivos 24/7, isso não é automatizar a vida? E as doenças que surgiram em consequência de toda essa civilidade?

Eu gostaria de ter a oportunidade de viver uma vida naturalmente vivida. Mas hoje não há possibilidade de sonhar com isso. Mesmo sendo contra o sistema, faço parte dele. Preciso entender as regras do jogo e tentar jogá-lo para não sucumbir.

Enfim, amo minha vida, amo meu trabalho, amo minha casa, amo poder vestir uma blusa quentinha no frio. Sou a favor da ciência e da tecnologia. Mas sinto que, como humanidade, escolhemos o caminho da autodestruição quando herdamos a lógica de exploração e dominação dos europeus cristãos, os mesmos que clamaram pela crucificação de Jesus Cristo e até hoje celebram sua “ressurreição”. Para mim, esse é o maior símbolo da hipocrisia humana.

E como a Igreja Católica fez isso com eficiência! Invadiu terras, reivindicou propriedades, destruiu culturas, mandou queimar mulheres sábias, extinguiu vidas em nome do mesmo Cristo que bradou pela morte. Até hoje vivemos sob o domínio dessa cultura euro-cristã.

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