Porque às vezes, tudo o que a gente precisa é de um gesto simples que nos lembre quem somos
Tem dias em que a alma parece miúda, em que acordamos com a sensação de estar um passo atrás do corpo, como se a vida tivesse seguido sem a gente.
Tem dias em que fazemos tudo no automático, respondemos mensagens, lavamos a louça, cuidamos dos outros, mas esquecemos de nós.
Foi nesses dias que aprendi o valor dos rituais.
Não os grandes, que vivem no nosso imaginário a partir da fantasia criada por filmes e livros, com incensos, luas ou tambores (ainda que esses também sejam belos e potentes).
Mas, aqui eu falo dos gestos simples e intencionais. Aqueles que, mesmo discretos, têm o poder de nos reconectar.
Ritual é diferente de rotina.
A rotina é o que fazemos sem pensar. O ritual é o que fazemos com presença e intenção.
No meu puerpério, enquanto tentava encontrar algum chão sob os pés, me deparei com o livro O Milagre da Manhã. Eu estava cansada, emocionalmente atravessada, tentando entender como reorganizar a vida diante das novas demandas.
E aquele livro foi uma espécie de farol, ele me despertou para a possibilidade de transformar meus dias a partir da forma como eu os começava.
Foi então que, em 2018, criei o meu próprio ritual da manhã.
Nada elaborado demais e nem inflexível, porque eu buscava por possibilidades e cura. Mas, com base nos pilares expostos no livro eu criei algo profundamente meu.
Meu ritual da manhã envolve oração, meditação, afirmações positivas, ativações corporais e mentalizações.
Com o tempo, esse ritual se tornou meu ponto de ancoragem. Um lugar seguro ao qual retorno todos os dias, mesmo quando tudo ao redor parece instável.
Esse pequeno gesto de começar o dia por mim, e para mim, virou um lembrete diário de que eu sou a protagonista da minha vida. Que, antes de responder ao mundo, eu escolho me escutar.
É ali, no silêncio da manhã, quando todos ainda dormem, que me conecto a minha intuição e ao meu poder pessoal que me guiarão ao longo do dia.
É nesse momento do meu dia que eu recolho meus pedaços espalhados pela correria, pela culpa e pela sobrecarga. O ritual me devolve inteira. É o tempo em que limpo a poeira das urgências alheias e volto a enxergar o que é essencial para mim.
Mais do que produtividade, ele me oferece presença.
Mais do que controle, ele me devolve escolha.
Ao longo dos anos, ajustei esse ritual conforme as fases da vida, a energia do momento, as necessidades do meu corpo e da minha alma. Mas esse encontro comigo mesma jamais deixou de ser prioridade.
Porque aprendi, na prática, que a forma como escolhemos começar nossos dias é determinante para que eles sejam bons, leves e produtivos.

Ritual é um jeito de dizer para si mesma:
“Eu existo. Eu me vejo. Eu me sinto. Eu me amo.”
Vivemos em um mundo que nos empurra para fora de nós o tempo todo.
Mas, são nos pequenos gestos, nos detalhes sagrados do cotidiano que podemos criar portais.
Portais para dentro de nós. Para a nossa essência. Para a nossa presença.
E talvez esse seja o meu convite de hoje para você que me lê:
Que pequeno ritual você pode criar para voltar a si?
O que você já faz ou poderia fazer com mais intenção e presença dentro da sua rotina?Não precisa ser bonito. Nem postável. Só precisa ser verdadeiro e seu.
O mais poderoso dos rituais é simplesmente estar presente em cada um dos seus dias.
Respostas de 2
Gostei da ideia de criar nosso próprio ritual da manhã, não precisa ser igual do livro ou dos filmes ou dos outros, mas nosso.
Cacá fico feliz que tenha feito sentido! É exatamente isso, criar um ritual que faça sentido pra nós, que seja nosso!