Sob as bênçãos da mata

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Sob as bênçãos da mata

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Na dobra quente da mata,
onde o vento aprende a sussurrar segredos,
elas se encontram.

 

Duas guerreiras de pele acesa de sol,
corpos talhados pela vida bruta,
braços que já ergueram troncos,
pernas que já venceram rios,
ombros que conhecem o peso da caça
e ainda assim os corpos tremem…

quando se aproximam.

 

A floresta sabe.

 

As folhas inclinam seus ouvidos verdes,
o chão amolece para guardar passos,
e o canto do uirapuru, raro e sagrado,
nasce como se fosse só para elas.

 

Quando estão juntas,

seus corpos se reconhecem.
Como a água reconhece a queda,
como o fogo reconhece a faísca.

Não há pergunta. Não há erro.
Só um instinto natural
que pulsa mais fundo que a lei da tribo.

 

Elas se tocam como quem aprende um idioma esquecido.

O arrebol se espalha nos rostos,

misturando-se com a terra molhada,

num fogo indomável que a mata guarda calada,

ardendo em seus corpos numa paixão desenfreada.

 

Depois, riem baixo.
Com medo de serem ouvidas pelo mundo,
mas por dentro, o peito canta
como arara rompendo o fim do mundo.

 

Repousam nos seios nus o encontro com a luz.

 

Na beira da cachoeira,
entre o mergulho e o fôlego roubado,
entre dedos que aprendem caminhos

e olhos que se afogam no azul aberto do céu

recortado pelo verde pulsante das copas,
elas existem inteiras.

 

Mas sempre chega a hora que os corpos precisam se afastar.

 

Na aldeia, elas são silêncio.
São somente olhar contido
que diz tudo o que a boca não pode falar.

São só as batidas fortes do coração, 

como um tambor vibrando na carne.

Quando separadas,
resta o calor guardado na memória da pele.


Esperam.

 

Esperam o momento em que a floresta volte a protegê-las.

Naquela imensidão verde-escura,

o amor delas não é proibido.

Elas colorem o caminho de força viva e sublime,

como realezas de um reino escondido.

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