Rolo o feed, fecho os apps, mas eles estão por todos os lados:
Blogueirinhas aplicando golpes, influencers fingindo que estão com câncer, crianças sendo sexualizadas diante de todos, tudo em troca de likes.
São sempre as mesmas caras, os mesmos corpos:
bocas de pato, dentes de piano, cílios de vassoura, bombados sem saúde, perfeição sem autoestima.
Mortes precoces por procedimentos desnecessários.
Temos contatinhos demais e corações partidos.

Viramos vitrines humanas, padrões forjados, com vidas montadas.
Mas, por dentro, estamos depressivos e ansiosos.
Por todos os lados, cantores sem voz, autotune no máximo, músicas tão ruins e repetitivas que vencem pelo cansaço.
Artistas sem amor pela arte, correndo atrás das trends, medrosos e sem personalidade.
São simplesmente mais do mesmo, a cópia da cópia.
Nos vídeos, herdeiros ostentando dinheiro, enquanto ensinam o pobre a perder os R$1.500 de salário nas bets.
A maioria é famosa, mas ninguém sabe o motivo.
E nas entrevistas? Assuntos super relevantes:
“Qual a sua posição preferida na cama?”.
Gente sem talento, que se mantém em destaque simplesmente jogando suas intimidades na tela.
Alguns fazem filhos só pra monetizar, mas quem cria é a babá.
Porque, no fim, o que importa é seguir a tendência do momento.
Nas escolas, red pills, incels, jovens que não conhecem o mundo além do quarto.
Somos uma geração sem senso crítico, autocentrada e emocionalmente limitada.
Mentimos para nós mesmos o tempo todo e performar se tornou mais importante do que viver.
Crescemos com pais esgotados e fomos criados pelos computadores e celulares que eles nos deram.
Somos a geração que aprendeu que ter lazer e consumir cultura é rolar feeds e assistir stories de subcelebridades inúteis, enquanto ignoramos o fato de que cinemas, livros e festivais se tornam cada vez mais caros e distantes da nossa realidade.