
Nem tudo que você vai ler aqui aconteceu.
Mas tudo é verdadeiro.
Esta é uma coluna de literatura autobioficcional: uma escrita na fronteira entre vida e ficção, onde a verdade não depende do fato, mas da experiência.
O que você vai ler aqui, durante 9 meses, não é confissão, nem relato, nem testemunho literal.
É gestação.
É invenção atravessada por memória, é pensamento escrito com o corpo.
Aqui, a pergunta não é: isso aconteceu mesmo?
Mas: o que isso revela sobre o real?
Essa coluna da “Hora do Sabbat” ocupa um território híbrido onde autobiografia e ficção não se anulam, se tensionam.
Este é um convite a pensar o que chamamos de real, o que escolhemos lembrar e o que precisamos inventar para seguir.
Eu me chamo Ludmila Tavares e Ella Vieira é uma personagem autobioficcional. Ela nasceu da minha decisão de olhar a minha própria vida de fora e narrá-la sem a obrigação de fidelidade aos fatos, mas com compromisso com aquilo que permanece.
A narradora/colunista sabe mais do que Ella em cada tempo. Sabe o que ainda não aconteceu, o que será lembrado de forma imprecisa, o que o corpo guardou antes da linguagem. Por isso, pode atravessar a infância, a adolescência, a vida adulta e a maternidade sem obedecer a uma linha reta. O tempo, aqui, se move como a memória: avança, retorna, insiste.
Ella foi criança quando ainda não sabia nomear o que sentia. Aprendeu cedo o silêncio e fez da imaginação um lugar possível. Na adolescência, percebeu que crescer também é perder nomes e que o corpo nem sempre é abrigo. A narradora sabe onde isso vai dar, mas escolhe não contar tudo agora.
Na vida adulta, Ella escreve porque escrever é uma forma de sustentar o que não se resolve. Feridas não são explicadas, são atravessadas. Na maternidade, o tempo se rearranja e o cuidado passa a conviver com fantasmas antigos, que retornam sem pedir licença.
Nada do que aparece aqui precisa ter acontecido exatamente assim. Mas tudo é verdadeiro no sentido mais amplo: porque fala de percepção, de marca, de memória em movimento. Ella existe porque algumas histórias só se deixam contar quando viram personagem.
Esta é uma série-coluna literária
Ella retorna todos os meses, até novembro.
Boas vindas a esse território instável onde realidade e ficção se encostam e nenhuma delas sai ilesa.
