Memória em Movimento | Hitler venceu Guerra – e eu vou te explicar o porquê

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Memória em Movimento | Hitler venceu Guerra – e eu vou te explicar o porquê

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Você já ouviu dizer que podemos matar um homem, mas não suas ideias? Bem, isto definitivamente é verdade e, infelizmente, vale tanto para o bem quanto para o mal. Hoje, vou te explicar porquê a atualidade segue reverberando os ideais de Hitler.

 

A derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial era certa muito antes do Dia da Vitória em 1945.

Em 1943, 2 anos antes do cessar-fogo, líderes militares de Hitler já encaravam a dura realidade dos fatos: a guerra estava acabada e eles estavam do lado dos perdedores. Apesar disso, Hitler insistiu na continuidade do combate, temente em admitir a falha de seu projeto expansionista e de sua ideologia.

No início de 1945, as tropas da União Soviética avançavam ao oeste, enforcando o núcleo do Terceiro Reich. Enquanto isso, no Oeste, os Aliados pressionavam fronteiras alemãs. O resultado não foi outro: em abril, Adolf Hitler cometeria suicídio deixando livre o caminho para o fim do conflito.

Com Hitler morto, quem teve de encarar os inimigos na derrota foi seu sucessor,  o Almirante Karl Dönitz. Coube a Dönitz negociar a rendição alemã — e, como veremos, alguma vantagem política das ruínas.

Receoso pelo avanço soviético, o governo alemão procurou prolongar as negociações para permitir que o maior número possível de soldados e civis escapasse para o oeste, em direção às zonas controladas pelos Aliados ocidentais. Havia também uma aposta política: Dönitz esperava negociar uma rendição separada aos britânicos e americanos, mantendo a resistência contra a União Soviética. A estratégia, porém, esbarrou na exigência do general Dwight D. Eisenhower de uma rendição incondicional em todas as frentes.

Guarde esta última informação: mesmo diante da derrota, Dönitz tentou direcionar a rendição para os interesses alemães e explorar a crescente rivalidade entre os antigos aliados e a União Soviética. Essa tentativa de transformar o inimigo de ontem no aliado de amanhã será importante para o restante deste texto.

 

Desnazificação e os Estados Unidos

“Essas atrocidades: culpa sua!” – um cartaz mostrando os campos de concentração à população alemã. O texto acusa os alemães como um todo de não terem feito nada enquanto as atrocidades eram cometidas.

 

Ganhar a guerra militarmente não era o suficiente para erradicar a febre nazista da sociedade, por essa razão os países Aliados se uniram para a desnazificação (sim, esse é o termo utilizado) da Europa.

O problema é que, enquanto alguns tentavam se livrar dos resquícios do regime, outros decidiram aproveitar justamente aquilo que lhes parecia conveniente. E, por outros, refiro-me à terra dos Yankees: os Estados Unidos da América.

Durante a Segunda Guerra Mundial, americanos e soviéticos cooperaram para derrotar a Alemanha nazista. Com o fim do conflito, porém, a antiga aliança deu lugar à rivalidade da Guerra Fria. A corrida pelo melhor sistema econômico substituiu o dever moral de abolir a doutrina de Hitler.

Profissionais do Reich eram incorporados no governo norte-americano em todas as áreas imagináveis. O programa mais conhecido foi a Operação Paperclip em que cientistas, engenheiros e técnicos alemães eram convidados para trabalhar em projetos militares americanos.

Autoridades americanas chegaram a modificar relatórios de segurança de cientistas alemães para permitir que fossem recrutados, APESAR de seus antecedentes nazistas. Coisa leve, né? O foco do governo era obter vantagem militar através da ciência e tecnologia.

 

A Guerra Fria e a corrida espacial

 

Diz-se que os nazistas são famosos por duas coisas: primeiro, pela crueldade; segundo, pela tecnologia. Com a escalada da Guerra Fria, o governo americano não deixaria que os avanços científicos da Alemanha nazista caíssem nas mãos da União Soviética.

Um dos nomes mais conhecidos da corrida espacial é o do engenheiro aeroespacial Wernher von Braun. Esse nome não parece alemão para você? Pois bem: nosso célebre engenheiro foi membro do Partido Nazista e oficial da SS, organização envolvida diretamente na perseguição e no extermínio de milhões de pessoas durante o Holocausto.

Von Braun liderou o desenvolvimento dos foguetes V-2, responsáveis por ataques contra cidades europeias durante a Segunda Guerra Mundial. Mas a conta não termina nas vítimas dos mísseis. Sua fabricação dependia do trabalho forçado de prisioneiros do campo de concentração de Mittelbau-Dora, submetidos a condições brutais. O engenheiro sabia da situação degradante dos trabalhadores e participou de decisões relacionadas ao uso dessa mão de obra escravizada. No complexo de Mittelbau-Dora, cerca de 20 mil prisioneiros morreram. Tortura, fome e doenças faziam parte da rotina. Um currículo e tanto para quem, anos depois, seria celebrado como um dos grandes nomes da exploração espacial.

 

Cientistas alemães recebendo a cidadania estadunidense em 11 de Novembro de 1954. 

 

Beleza, mas e na América?

Von Braun continuaria sua carreira nos Estados Unidos até chegar à NASA, onde dirigiu o Centro de Voos Espaciais Marshall e teve papel central no desenvolvimento do Saturn V, o foguete que levou astronautas à Lua. Em 1970, foi transferido para a sede da agência, em Washington. Em 1975, recebeu a Medalha Nacional de Ciência. 

Veja: se na Segunda Guerra o objetivo era mostrar a supremacia da “raça ariana”, agora o objetivo era mostrar a supremacia do capitalismo.

 

Quem paga o preço da hegemonia? 

Não é preciso muita reflexão para responder à pergunta: quem paga pela briga dos poderosos? Quase sempre, quem tem menos poder para decidir. E, durante a Guerra Fria, a América Latina virou um dos principais alvos dessa disputa.

A partir do anúncio da Doutrina Truman — aquela que garantia que o comunismo não se espalhasse por aí — combater a ameaça vermelha se tornaria uma das justificativas para a violenta atuação americana em diferentes partes do mundo. Um de seus desdobramentos foi aqui no Brasil com a Operação Brother Sam.

É, eu sei é muito nome em inglês para acompanhar. E o pior é que os nomes nem são bonitos!

À medida que o pau comia solto no exterior, João Goulart — presidente do Brasil — tentava implementar suas Reformas de Base. Elas eram 8, vamos relembrar?

 

  1. Reforma Eleitoral: buscava ampliar a participação política, incluindo o direito de voto para pessoas analfabetas, então excluídas do processo eleitoral.
  2. Reforma Administrativa: pretendia modernizar e reorganizar a máquina pública para tornar o Estado mais eficiente.
  3. Reforma Tributária: aqui a intenção era deixar a tributação mais justa, fazendo com que os ricos pagassem mais impostos.
  4. Reforma Bancária: já essa buscava ampliar o acesso ao crédito para produtores e reorganizar o sistema financeiro nacional, facilitando o controle da inflação.
  5. Reforma Universitária: o foco era acessibilizar o ensino e ampliar sua função social. Assim, o país se desenvolveria com o estímulo a novos conhecimentos e pesquisa.
  6. Reforma Cambial: buscava manter mais dólares no Brasil, evitando que lucros de empresas estrangeiras saíssem do país sem controle e prejudicassem a economia nacional. 
  7. Reforma Urbana: propunha combater a especulação imobiliária, regulamentar os aluguéis e ampliar o acesso à moradia digna 
  8. Reforma Agrária: buscava redistribuir terras improdutivas, reduzir a concentração fundiária e ampliar o acesso à terra para trabalhadores rurais.

 

Soou comunista para você? Porque para a Casa Branca, sim. 

Diante desse cenário, o tio Sam se prontificou em impedir que a nação brasileira entrasse na festinha do bloco soviético. No último dia de março, o porto de Santos receberia  diretamente dos States um porta-aviões, dois destróieres e outros equipamentos a fim de instituir o golpe militar.

O resto da história vocês já conhecem: censura, repressão, morte e mais de 20 mil pessoas torturadas. 

Embora o regime nazista tenha sido derrotado há mais de 80 anos, suas práticas de dominação deixaram vestígios pelo mundo — inclusive em países latino-americanos submetidos à influência e às intervenções dos nossos vizinhos do norte.

O que o Brasil de hoje pode aprender com tudo isso?

Flag of Brazil

Se você chegou até aqui, certamente percebeu a importância da soberania, seja ela cultural, política ou ideológica.

A trajetória de Hitler demonstra os perigos de um projeto de dominação que desrespeita a autonomia de outros povos. Já as intervenções americanas revelam como o medo de perder influência pode justificar ações que comprometem a democracia e a soberania de outras nações. É difícil acreditar que a influência nazista tenha morrido em 1945, especialmente, quando seus propagadores tenham sido colocados em posições de poder dentro do governo americano.

Por isso, caro leitor, te convido a levar essa reflexão para as urnas e votar com consciência no segundo turno das eleições. Defender a nossa capacidade de seguir o nosso destino é derrotar a doutrina de Hitler.

Nosso país é rico em cultura, recursos naturais e, acima de tudo, resistência. Temos o direito de decidir nossos próprios caminhos, proteger nossas riquezas e construir um futuro que atenda aos interesses da nossa população.

A colonização formal acabou há séculos, mas isso não significa que as relações de dependência e dominação tenham desaparecido. Não podemos aceitar a reprise do nosso passado. O Brasil não vai repetir esse prato!

Dia 25 de outubro, vote com consciência. Pense em você, nas pessoas que ama e no futuro do nosso país. Valorize a história do nosso povo que enfrenta dificuldades, mas segue lutando por dignidade, autonomia e justiça (e tudo isso com um sorriso no rosto).

A soberania brasileira também depende das escolhas que fazemos. Vamos em frente! Conto com vocês.

 

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Uma resposta

  1. Seguimos resistindo Carolyne! Estamos juntas, por um Brasil soberano e pela democracia! Reflexão Importantíssima às vésperas da eleição mais importante de nossas vidas!

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