Eu pensei bastante sobre o que gostaria de falar nesse mês e a Nanda Tsunami me ajudou com essa motivação. Vocês já escutaram “Pq vc não me liga?”, temos muito o que conversar. Na verdade, sinto que precisaria ter um pouco mais de idade para falar com certa propriedade, praticidade, sabe? Eu fico pensando se vai chegar algum momento da vida em que conseguirei discorrer sobre essas trocas afetivas sob uma perspectiva um pouco mais interessante, divertida, como Martha Medeiros em “Paixão Crônica”. Até como Bell Hooks em “Tudo sobre o amor”, aqui é o suprassumo do entendimento.

Bom, hoje é a data limite do envio para a minha editora e farei um esforço de concluí-lo enquanto resgato algumas histórias recentes para rirmos juntas, prometo entregar entretenimento. Pelo menos é o que diverte minhas amigas que levam uma vida de casadas há alguns anos.
Desde que terminei um namoro de longa data, tenho vivido experiências antropológicas em micro-relacionamentos, com início, meio e fim parecido com um divórcio. Tragédia total, acho até que preciso de uma advogada para alguns desses. É que tem sido bem diferente dos filmes de comédia romântica, e nem pretendia segui-los, enfim. A cronista Martha fala que o amor é: “fácil de escrever, bonito de imaginar, porém dificilmente realizável”. Eu concordo!
Dentro da amostragem, eu poderia falar sobre o filmmaker que me chamou para ir ao cinema e desmarcou dizendo: “sorry”. Poderia falar daquele que me chamou para comer o melhor pastel do Rio de Janeiro, que, de maneira estratégica, era localizado na esquina da casa dele (e nem era tão bom assim). Poderia falar sobre o jovem da academia que apareceu com uma namorada na semana seguinte. Talvez sobre o cara do samba com quem me envolvi por alguns meses e as cartas do tarot me disseram em imagens: Caveira, Rei de Paus, Tempestade. A cigana nem precisou me explicar muito, caí fora. Rolou também com o compositor com quem saí apenas uma vez para tomar água de coco na praia, e pela poesia de seus versos, não precisei de muito mais para reconhecer um charlatão de marca maior.

Poderia até falar sobre o vascaíno, aquele que me mandava mensagens de “bom dia” sem nunca ter me chamado para sair. Ou até do tricolor, amigo dele, que tem o cabelo mais lindo do mundo, uma gata preta, um cachorro que virou meu amigo, e de quem não consegui me despedir (isso me machuca um pouco), acho que dessa vez me arrependi em não insistir.
Acho que esse último deu errado, porque todos os últimos 15 (ou 20) deram errado, me blindei por precaução, enxergar um limite é necessário, acontece. Não sei se valia o esforço. Com o tempo, estou aprendendo a separar o que me cabe e o que posso deixar de lado. É que tenho trabalhado tanto, estou bem cansada nos últimos meses. Acho que desaprendi a lidar com as inconsistências do outro. Eu tenho sido inconsistente, ultimamente.
Nessa, a rapper faz os questionamentos que venho fazendo nos últimos tempos. Pera aí, será que deveríamos “fazer tudo pra ser a mina que ce gosta”? Eu aprendi que, ao me relacionar com homens, eles acabam ditando o ritmo dos acontecimentos e abandonam tudo sem nos comunicar, é claro, a decisão sempre é a deles. Aprendi que homens se encantam por tudo que um início pode oferecer: vinho na varanda, comida japonesa aos domingos, acampamento, cachoeira, shows, viagens de carro. Cheguei até receber convites para ir aos jogos do Flamengo (pelo menos uns 3), mas o que tenho a ver? Contudo, se a rotina de 1 mês não fizer mais sentido, descarte na certa. Aprendi que homens têm muitos problemas dos quais eles preferem lidar sozinhos, e preferem não lidar, muitas vezes. Queridos, saibam, temos os nossos também.
Aprendi, além de tudo, que a minha companhia é tão especial, eu sou uma mulher tão interessante, aqui nem cabe falsa modéstia, que essa confusão de “quero”, “não quero”, que me faz, constantemente, duvidar se eu merecia ser “escolhida”, me ensinou a me escolher antes mesmo de eles terem essa chance. Aliás, acho até uma audácia que não o façam, enfim. Saio de fininho para não precisar lidar com todas essas inconsistências, tais quais as minhas. Eu sentirei falta do tricolor, mas ele não me ligou. Por fim, as convido a ler o capítulo 4 da Bell Hooks: “Compromisso: que o amor seja o amor próprio”.
Nanda, qualquer coisa, você tem meu número! Podemos rir juntas, tenho muito mais para contar.