Durante a minha gestação, em meio à correria de uma rotina exaustiva como gerente farmacêutica, descobri um tipo de silêncio que não era ausência de som — era presença de mim.
As aulas de Yoga, duas vezes por semana, tornaram-se o meu bálsamo sagrado.
Em um ambiente em que meu nome era chamado sem cessar, o telefone não parava de tocar e as mensagens se acumulavam como demandas infinitas, aqueles 50 minutos eram como um abraço silencioso.
Era ali, naquele chão de prática, que eu conseguia me ouvir de novo. Mais do que alongar o corpo, eu reconectava a alma. Sentia a respiração encontrar ritmo, a mente desacelerar e o coração falar em sua linguagem mais pura: o sentir.
Aprendi que o silêncio tem camadas — e que ele pode ser preenchido com uma escuta profunda, com presença, com acolhimento. Aprendi que o barulho de fora só se torna insuportável quando o nosso dentro está em silêncio demais, desatento demais, ausente de si.
Hoje, não frequento mais as aulas com regularidade, mas encontrei na meditação matinal o meu novo refúgio. Todas as manhãs, antes do mundo acordar em mim, eu fecho os olhos, respiro fundo e pergunto: como estou hoje? Essa escuta é minha direção. Meu centro. Meu recomeço. É o instante em que volto para casa, para minha paz interior, o lugar onde nenhuma demanda externa tem permissão de invadir.
Esse espaço sagrado me ensina, dia após dia, que o silêncio não é vazio — ele é morada.
Vivemos em uma era barulhenta. São notificações incessantes, cobranças por produtividade, urgências que nem são nossas. O ruído não é apenas sonoro: ele é emocional, mental, coletivo. Somos ensinadas a responder rápido, a produzir sempre, a estar disponíveis. E, nesse ritmo, muitas de nós se perdem de si.
O silêncio, nesse contexto, é mais que um descanso: é um ato de resistência.
Ele nos reconecta com o corpo, com a intuição, com a verdade interna. Ele nos devolve a capacidade de escutar antes de reagir, de escolher antes de se adaptar, de sentir antes de decidir. O silêncio limpa, clareia, abre espaço. E mais: o silêncio nos protege. Ele nos convida a entrar em um território interno onde o tempo corre diferente, onde não somos julgadas, onde podemos apenas ser.
A voz interior, essa guia esquecida, se fortalece quando damos espaço para que ela fale.
E ela fala com delicadeza, nunca aos berros. É preciso calar o mundo para escutá-la.
E, quando a ouvimos, as escolhas se tornam mais leves, os limites mais claros, a presença mais inteira. É ela que nos mostra o caminho quando tudo fora parece incerto.
É ela que nos lembra do que é essencial.

Se você tem se sentido exausta, desconectada ou confusa, talvez o que esteja faltando não seja fazer mais, mas silenciar mais. Criar um pequeno ritual de escuta, ainda que por cinco minutos ao amanhecer, pode ser transformador. Não precisa de técnica sofisticada. Basta fechar os olhos, colocar a mão sobre o peito e permitir-se perguntar: o que estou sentindo agora? E aceitar a resposta sem julgamento.
Hoje, antes de responder ao mundo, escute a si mesma.
Respire fundo. Pergunte: O que eu preciso hoje?
E, se puder, honre essa resposta com um gesto, por menor que seja.
Porque a sua voz interior merece ser ouvida. E ela conhece o caminho de volta para você.

Iris Daval é uma mulher em constante transformação, mentora de outras mulheres que buscam se reconectar com sua essência. Escreve sobre autoconhecimento e liberdade. Seu despertar foi o início de grandes mudanças e reconexões.