Não sei quando foi que ensinaram pra gente que mulher é rival de mulher.
Mas ensinaram.
E a gente aprendeu. Rápido.
Aprendeu a olhar torto. A comparar. A disputar atenção.
Como se o mundo tivesse espaço só para uma de cada vez.
Por quê? Pra quê? Pra quem?
Desde cedo, nos jogaram num ringue invisível.
Disputando beleza, afeto, respeito, validação…
Como se a vitória de uma significasse a derrota da outra!
Enquanto a gente se mede, o sistema aplaude!
Homens foram ensinados a se proteger, a formar alianças.
E nós? A desconfiar. A cortar. A competir por migalhas.
Chega.
A gente não nasceu para se machucar. A gente pode se abrigar!
A primeira reação entre nós, precisa ser o abraço, não o julgamento.
A escuta, não o ataque.
A empatia, não a inveja.
Tem espaço para todas. Tem brilho para todas!
A beleza de uma mulher não apaga a da outra.
O sucesso de uma não diminui ninguém.
O elogio para uma não é silêncio para outra.
Vamos mudar isso? Vamos começar pelas pequenas coisas?
Quando uma mulher entra linda, elogie! Com o coração aberto.
Não guarde o elogio por insegurança.
Mulher que reconhece a força da outra é mulher inteira!
Quando uma errar, respire! Escute antes de atacar.
Nem toda crítica é cuidado. Nem todo silêncio é fraqueza.
A gente já apanha tanto do mundo. Que entre nós… haja acolhimento!
Quando vir injustiça, não se esconda! Posicione-se!
O silêncio também fere.
Às vezes, o que a outra precisa é saber que não está sozinha!
Quando o coração quiser competir… lembre que isso é armadilha!
O mundo nos ensinou a nos enxergar como ameaça. Mas podemos reaprender!
Quando quiser se afastar, faça com respeito. Sem veneno.
Nem toda relação precisa durar para sempre.
Mas pode terminar com dignidade.
A gente não precisa sair ferindo para seguir em paz!
Quando estiver cansada, lembre que você pode pedir ajuda.
E pode oferecer também.
Tem dias que a gente só precisa ouvir: “Tô aqui!”
Não estou dizendo que é fácil.
A gente foi moldada para competir.
Mas dá para quebrar esse molde.
Dá para fazer diferente.
Dá para caminhar juntas sem pisar em ninguém!
Se a gente quer um mundo melhor para as mulheres,
tem que começar sendo melhores umas com as outras!
Seja o tipo de mulher que levanta. E que levanta outras!
Seja abrigo. Seja força. Seja exemplo!
A gente não precisa se anular. Não precisa se copiar. Não precisa se enfrentar!
A gente só precisa se reconhecer!
E, no fim das contas, o que a gente constrói juntas
essa rede invisível de cuidado, amor e resistência
é o que vai sustentar o futuro que a gente merece!
Um futuro onde o abraço seja maior que o medo,
onde a voz de cada mulher ecoe sem receio,
onde o brilho de uma ilumine a outra,
e onde a nossa força coletiva seja o fogo que transforma o mundo!
Porque, no fundo, a gente não está aqui para competir — a gente está aqui para florescer, juntas!
Poesia: Mãos que curam, vozes que erguem
Quando mulheres se dão as mãos,
brotam sementes nos nossos vãos.
O mundo assiste, sente, recua…
pois sabe a força de alma nua.
Quando mulheres se escutam bem,
a dor se aquieta, o medo vem
mas logo some, se desfaz
e a gente segue em nossa paz.
Quando mulheres se olham fundo
elas mudam o próprio mundo.
Sem filtro, sem farsa, com lealdade,
tecem caminhos de liberdade.
Não há poder mais verdadeiro
do que um abraço por inteiro.
Quando eu te vejo e me vejo em ti,
o que era pedra vira jardim.
Somos muralha, flor, corrente,
coluna firme, luz presente.
E se uma cair, não cai sozinha.
Terá mil vozes em sua linha!
Nosso laço é ponte e chão,
é revolução em união.
E se um dia nos dão razão,
voltamos mais fortes, coração em ação.
Não somos rivais, somos irmãs.
Nos reconhecemos pelas manhãs.
E quando damos nossas mãos,
ninguém solta. Ninguém. Jamais.

Tay Oliveira é pedagoga com pós-graduação em Psicopedagogia, poetisa e escritora. Com obras publicadas em antologias como ‘Mapeam 2024’ e ‘Além das Palavras 2025’, sou também participante e idealizadora do Sarau Libertários, um espaço de expressão artística e literária. Como colunista semanal do blog Horadosabbat , compartilho reflexões e pensamentos sobre cultura, arte e sociedade.”