Hoje é o meu aniversário, comecei o dia tomando um café e escutando “Força Estranha”, da Gal. Nesse momento estou escrevendo porque, chorando, percebo o tempo passando, vejo o início dos próximos capítulos e percebi uma coisa.
É engraçado, na verdade, porque eu costumava ter medo do relógio, medo de achar que o avançar do calendário significava dias a menos na conta final. No início dos meus 20 anos, sentia que precisava viver tudo o que coubesse naquele espaço de vida ou até estudar o máximo que conseguisse para estar preparada para um “futuro”.
Quando somos jovens existe um anseio por ser alguém, conquistar alguma coisa que não se sabe muito bem ou chegar a algum lugar que não se sabe onde. Acho que a maturidade me fez parar de correr contra o tempo. A vida precisa ser vivida, não é sobre a expectativa de vivê-la. Os momentos precisam ser construídos, os sonhos precisam ser desenhados, e escolhas difíceis nos acompanham. Abrir os ol

hos todos os dias não pode ser um peso. As conversas devem ser leves, os problemas resolvidos e os dias de sol podem nos bronzear.
Hoje, sinto que é menos sobre o que eu quero ser e mais sobre manter e agradecer quem e o que
tenho. A vida ganhou o sentido dos versos em que a Gal canta:” eu vi a mulher preparando outra pessoa, o tempo parou para eu olhar para aquela barriga”. É como o chá de revelação do bebê de uma amiga, a fumaça saiu azul e o Joquinha já tem cinco meses. O tempo é muito precioso.
Hoje, escuto a Gal cantar e lembro quando eu e minha mãe fomos ao show no Vivo Rio, ela nos deixou exatamente um ano depois. Hoje, assisto aos jogos do Fluminense com meu pai, porque quando eu nasci era domingo e meu time ganhava de 3×2 do Flamengo no Maracanã. Meu avô ainda estava aqui e há muitos anos ele não está. Hoje, eu recebi uma mensagem linda de parabéns do meu primo que cresceu como meu irmão. Ele mora no Sul há alguns anos, senti falta de quando nos arrumávamos para nossas festas juntos. Hoje, a minha samambaia que estava na enfermaria da minha varanda, está enorme. A coitada passou por maus bucados depois do excesso de produto em suas folhas.
Voltando à “Força Estranha”, a música me disse para pôr os pés no riacho e nunca os tirar. Acho que a vida é como o caminho das águas de um rio que vai passando, vai lavando, sem pressa, ela só segue o destino que precisa seguir. Hoje, ainda é meu aniversário e eu estou muito feliz.