A presença feminina cresce na música — mas a desigualdade continua estruturando o mercado

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A presença feminina cresce na música — mas a desigualdade continua estruturando o mercado

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A União Brasileira de Compositores lançou a edição de 2026 do estudo “Por Elas Que Fazem a Música”, um dos principais levantamentos sobre a participação feminina na indústria musical brasileira. O relatório traz um cenário que combina avanço relevante com desafios persistentes — especialmente quando o assunto é reconhecimento, remuneração e condições de trabalho.

Nos últimos sete anos, o número de mulheres associadas à UBC cresceu 229%. Esse dado aponta para uma mudança importante: mais mulheres estão formalizando sua atuação na música, seja como compositoras, intérpretes, produtoras ou profissionais de outras áreas da cadeia criativa. Esse crescimento reflete não apenas um aumento de participação, mas também um movimento mais amplo de inserção feminina em estruturas historicamente dominadas por homens.

No entanto, o estudo deixa claro que o aumento da presença não se traduz automaticamente em igualdade de condições. A experiência das mulheres dentro do mercado ainda é marcada por desigualdades recorrentes. Segundo a pesquisa, 63% das profissionais já foram ignoradas ou interrompidas em contextos de trabalho por serem mulheres, enquanto 59% relataram ter recebido comentários depreciativos relacionados ao gênero. Além disso, 57% afirmam sentir que precisam provar sua competência com mais frequência do que seus pares masculinos, e 52% já tiveram seus créditos diminuídos em processos de cocriação.

Os dados sobre assédio reforçam a gravidade desse cenário. Cerca de 65% das entrevistadas afirmaram ter vivenciado algum tipo de assédio, incluindo situações de natureza sexual, verbal e moral. Esse conjunto de informações revela que, embora o acesso ao mercado esteja ampliando, as condições de permanência e desenvolvimento profissional ainda são desiguais.

A disparidade também se torna evidente quando se observa a distribuição de renda e reconhecimento. Entre os maiores arrecadadores de direitos autorais do país, apenas 11 são mulheres, e a mais bem posicionada aparece na 16ª colocação. Esse dado indica que, mesmo com maior participação na base do mercado, as mulheres ainda enfrentam barreiras significativas para alcançar posições de destaque econômico e visibilidade.

Outro aspecto relevante abordado pelo estudo é a concentração geográfica das oportunidades. Regiões como o Norte e o Nordeste seguem sub-representadas em relação à sua participação na população brasileira, enquanto o Sudeste concentra a maior parte das associadas. Esse recorte evidencia que a desigualdade no setor musical não se limita ao gênero, mas também envolve questões regionais e de acesso.

O relatório também destaca iniciativas da própria UBC voltadas à promoção da equidade, como a realização de songcamps exclusivamente femininos e projetos de intercâmbio internacional. Essas ações buscam criar ambientes mais inclusivos e ampliar as oportunidades de colaboração e visibilidade para mulheres na música.

De forma geral, o estudo “Por Elas Que Fazem a Música 2026” reforça que o mercado está em transformação, mas ainda distante de um cenário equilibrado. O crescimento da presença feminina é um indicativo positivo, mas os dados mostram que ainda há um caminho consistente a ser percorrido para garantir condições mais justas, reconhecimento proporcional e um ambiente profissional seguro.

Fonte: Estudo “Por Elas Que Fazem a Música 2026”, publicado pela União Brasileira de Compositores (UBC).

 

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