ANÔNIMA MAIS CONHECIDA | Permanência e resistência: discotecagem e cultura em tempos de Eleições 2026

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ANÔNIMA MAIS CONHECIDA | Permanência e resistência: discotecagem e cultura em tempos de Eleições 2026

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Outubro está sendo aquele tipo de mês que parece que vivemos uma vida inteira em apenas 30 dias: muitas reviravoltas nos desdobramentos políticos atrelados às Eleições 2026, gerenciadas de forma extracurricular às demandas rotineiras. E claro, a maior de todas as conquistas dos últimos anos: celebramos o fim da escala 6×1.

Mas antes de trazer as reflexões do momento, vamos conferir o que o calendário deste mês traz pro nosso radar:

  • 01.10 – Dia Nacional e Internacional das Pessoas Idosas / Dia Internacional  da Música / Dia Mundial do Vegetarianismo
  • 02.10 – Dia Internacional da Não Violência
  • 03.10 – Dia do Petróleo Brasileiro
  • 04.10 – Dia da Natureza / Dia Mundial dos Animais
  • 05.10 – Dia Mundial de Professoras(es) / Aniversário da Constituição Federal
  • 07.10 – Dia Nacional de Compositoras(es)
  • 10.10 – Dia Mundial da Saúde Mental / Dia Nacional dos Direitos Fundamentais da Pessoa com Transtornos Mentais / Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher / Dia Nacional de Segurança e de Saúde nas Escolas / Dia Mundial Contra a Pena de Morte
  • 11.10 – Dia Internacional da Meninas / Dia da Pessoa com Deficiência Física / Dia do Teatro Municipal
  • 12.10 – Dia das Crianças / Dia Nacional da Leitura / Dia do “Descobrimento” da América
  • 15.10 – Dia Internacional da Mulher Rural / Dia Nacional de Professoras(es) / Dia Mundial da Lavagem das Mãos / Dia do Consumo Consciente
  • 16.10 – Dia Mundial da Alimentação / Dia da Ciência e Tecnologia
  • 17.10 – Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza / Dia Nacional da Vacinação / Dia da Música Popular Brasileira
  • 18.10 – Dia de Médicas(os) / Dia Mundial da Menopausa
  • 19.10 – Dia Nacional da Inovação / Dia de Profissionais de Tecnologia da Informação / Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama
  • 20.10 – Dia de Poetisas(as) / Dia Mundial de Combate ao Bullying
  • 24.10 – Dia das Nações Unidas / Dia Mundial de Combate à Poliomielite
  • 25.10 – Dia Nacional da Democracia / Dia Internacional contra a Exploração da Mulher
  • 27.10 – Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual
  • 29.10 – Dia Internacional de Cuidado e Apoio / Dia Nacional do Livro / Dia Nacional da Prevenção da Lavagem de Dinheiro
  • 31.10 – Dia Nacional da Poesia / Dia Mundial das Cidades / Dia do Saci / Halloween / Dia da Dona de Casa

 

Em meio ao turbilhão que estamos vivendo, rituais diários de proteção à saúde mental, conexão com as pessoas e a realidade concreta, tudo equilibrado com as atualizações das notícias e descobertas, é realmente uma luta diária entre a sanidade e a não-alienação.

Com a Rita von Hunty, foi a primeira vez que ouvi a impactante frase de Antonio Gramsci, referindo-se a expressão de Romain Rolland, sobre a “concepção socialista do processo revolucionário se caracteriza por duas notas fundamentais, a saber: o ‘Pessimismo da Razão’ e o ‘Otimismo da Vontade’.” E isso resume muito bem, já de uma forma mais amadurecida e elaborada por mim ao longo dos últimos anos: ainda que estejamos vivendo um misto de pré-distopia com o puro suco do caos, também temos a possibilidade de nos direcionarmos um pouco mais na busca de alguma práxis utópica.

Talvez, a música seja uma das mais potentes ferramentas no campo simbólico de luta e renovação, fortalecendo a cultura e fazendo-se presente junto às demais expressões artísticas para combater ideologias de ódio e pautadas em necropolíticas. Se existe algo importante a ser mantido, especificamente neste momento, é uma certa esperança delirante: que confronta o medo e nos nutre da coragem necessária para mantermos nossa luta através do diálogo, de projetos e ações em prol da conscientização e da paz, do estudo para que possamos ter melhores ferramentas argumentativas e de elaboração de estratégias, e do trabalho (afinal, em meio a toda movimentação social e política, também precisamos manter nossa produção para pagarmos as contas no fim do mês).

Como este texto, para além do contexto momentâneo das Eleições 2026 aqui no Brasil, se manterá vivo e circulando nas redes ad infinitum, quero trazer aqui duas indicações de livros e duas breves reflexões que, no meu entendimento, são cruciais para o momento presente e imprescindíveis para o futuro – com grandes cargas de atemporalidade em suas essências:

 

Acervo pessoal

 

  1. Comunicação Grupal Libertadora – por José Martínez Terrero
    O livro de 1988 traz um recado interessantíssimo: a construção de melhorias sociais, políticas, na educação e no trabalho, só são garantidas quando mantemos uma comunicação ativa e em grupo. Existe um problema? Ele deve ser ouvido por diversas comunidades que, a partir do seu repertório individual e coletivo, poderá apresentar soluções distintas que, somadas, trarão melhorias significativas. Existe um conhecimento? O compartilhamento deste entre as comunidades possibilitará a autonomia das pessoas que não o detinham previamente, além do aperfeiçoamento coletivo e evolução de técnicas, métodos e até pesquisa mais ampla do tema original.
    Apesar do livro tratar de ferramentas tecnológicas um tanto obsoletas para o nosso contexto (ainda que a nostalgia tenha trazido, por exemplo, a fita-cassete de volta ao mercado com o selo de ser vintage), vale a reflexão de como adaptar essa dinâmica ao contexto das redes sociais e como manter o arquivo vivo desta construção, para análise, consulta e criação de uma consciência coletiva dos avanços e da história.

 

Acervo pessoal

 

  1. O dia em que a poesia derrotou um ditador – por Antonio Skármeta
    Em meio à ditadura chilena de Pinochet, uma ponta de esperança surge a partir do momento em que são convocadas eleições democráticas no país, para mostrar à comunidade internacional que o ditador continuaria sendo a escolha da população em prol da manutenção da ordem do país.
    Além de ser uma leitura leve e divertida, dá uma renovada nas energias: mesmo quando a realidade hostil parece sugar nossa força criativa e de resistência, a arte e a cultura salvam. Fazer o que fazemos, mesmo em condições adversas, também é uma forma de luta e se caracteriza como uma resistência importante.

 

E para agregar ainda mais ao papo que estamos desenvolvendo, como de praxe, a seguir você confere a entrevista completa da edição deste mês com Bebela Dias.

 

Reprodução

 

Bebela Dias | DJ e produtora de eventos

 

[ GRAZI FLORES ] Sua trajetória na discotecagem começou em 2015, mas você já atuava na cena como MC desde 2011. Como rolou essa ampliação de linguagens e atuações? O que a impulsionou para os decks?

[ BEBELA DIAS ] Então, não sei se foi uma ampliação sabe, atuei como MC pouco tempo, acredito muito que não nasci pra rimar kkkkkkkk eu só gostava de rap mesmo e não sabia.

Como eu tinha um irmão que produzia eventos eu aproveitava desse meu passe pra estar nos palcos, com o tempo passando eu vi que não era boa pra escrever nem pra interpretar, mas amava a música, daí fui discotecar.

 

Reprodução

 

[ GRAZI FLORES ] Aliás, nessa lista de frentes nas quais atua, ainda tem que adicionar curadora e produtora cultural: como você equilibra teu tempo e energia entre tantas atividades? E o que a mantém na atividade do backstage, para além dos holofotes do palco/cabine?

[ BEBELA DIAS ] Muita das conquistas artísticas que eu tive se deu por ter feito isso tudo. Acredito muito que espaços foram abertos por isso, então vira um ritmo, uma rotina, cada função tá interligada na outra, a diferença entre você está no palco e está recebendo um grande artista no backstage é sobre apresentação e configuração, mas a responsabilidade é a mesma. Agora sobre ter energia é direcionar as coisas mais importantes do mês, pegar demanda que consegue entregar com excelência, quantidade não é qualidade. Acho muito importante peneirar as funções, e não necessariamente ter uma agenda de dj set cheia, já ajudam a conseguir equilibrar esse tempo.

 

Reprodução

 

[ GRAZI FLORES ] Seu acervo transita tanto pelo acervo digital quanto pelo acervo físico de discos de vinil: o que atiçou sua vontade de trabalhar esses dois universos? Tem uma preferência?

[ BEBELA DIAS ] A vontade sempre vai ser saber mais sobre a música, o artista underground vem de uma limitação de acessos. Quanto mais formas de música ele tiver acesso mais ele vai querer se aprofundar, aprender um novo instrumento, um novo equipamento eletrônico e com vinil não é diferente pra mim. Não tenho preferência em sobre as formas de apresentar a música, mas não posso deixar de mencionar a questão do arquivo físico são os detalhes que a gente consegue pegar que arquivo digital nenhum consegue trazer a mesma sensação. 

Mas tudo é música, tudo é lindo!

 

Reprodução

 

[ GRAZI FLORES ] Qual experiência mais te impactou nestes mais de 10 anos de carreira? E o qual o maior desafio que você já viveu?

[ BEBELA DIAS ] Em 2027 irei fazer 12 anos de DJ e posso falar com maior prazer; todo ano parece que é o primeiro ano de carreira, tudo se renova, novos lugares, novos públicos, novos contratantes, então eu me surpreendo muito.

Esse ano 2026 realizei muitos sonhos como esta em festivais maiores como Lollapalooza, festival sensacional, tocar no MASP também mexeu muito comigo, mas para além desses grandes palcos, ter a oportunidade de fazer sessões pelo Brasil tem sido muito especial!

Agora sobre desafios são muitos diariamente, por ser mulher as vezes rola desprezo, falta de respeito que toda sociedade enfrenta não só na profissão de DJ.

Infelizmente nossa profissão é muito desvalorizada, então às vezes encontramos equipamentos em situações precárias, contratantes que não nos deixa em um ambiente confortável para trabalhar, enfim muitas coisas que a gente vai fortalecendo para cada vez menos isso impactar na rotina.

 

Reprodução

 

[ GRAZI FLORES ] Pensando de forma utópica, como você gostaria que a cena fosse hoje? E o que falta, na sua opinião, para alcançarmos essa utopia?

[ BEBELA DIAS ] Seria incrível a igualdade de raça e de gênero para line ups e mais dignidades financeiras para quem atua profissionalmente.

Não tem como alcançar essa utopia kkkkkkkkk mas seguimos resistentes, continuando ocupando e atuando no máximo de lugares possíveis para que uma parte dessa parcela se beneficie do que é possível.

 

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