Junto à celebração da vida, resistência e luta por direitos dos povos originários, coincidentemente temos outras datas que dialogam diretamente com a atuação das diversas etnias que a data pretende garantir e proteger. Num panorama geral, temos:
- 15.04 – Dia Nacional da Conservação do Solo
- 17.04 – Dia Nacional da Botânica
- 19.04 – Dia dos Povos Indígenas
- 22.04 – Dia da Terra
- 28.04 – Dia Nacional da Caatinga
Especialmente nos últimos meses, esta relação automática que é feita entre povos originários e luta pela proteção ao meio ambiente, foi amplamente reforçada por conta da luta pela revogação do projeto de lei 12.600/2025 – que pretendia autorizar a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.
É inegável a importância dos povos originários no âmbito da sustentabilidade e meio ambiente, mas suas contribuições não se restringem apenas às temáticas da natureza, um estereótipo que projeta uma ideia de isolamento do mundo, como se fossem povos desconectados da realidade nacional e global.
Nesse processo, a invisibilidade em curso acaba por prejudicar o contato com as diversas culturas das quase 400 etnias existentes no Brasil: trocamos a curiosidade por idiomas, artes, culturas e saberes por uma indiferença que abastece a lógica do apagamento dessas vidas.
Como forma de resistência, a criação de redes de colaboração e fortalecimento mútuo possibilitam a preservação de conhecimentos e proporcionam solo fértil pro desenvolvimento de diversas comunidades interligadas: é o aquilombamento de grupos, formando uma rede afroindígenoafetiva.
Um texto que me veio à mente, e que serviu de inspiração, foi o “Pedagogias da Transformação” de Paula Berbert (Moquém_Surarî – Arte Indígena Contemporânea, página 20). A resposta para a destruição imperialista é a construção decolonial de espaços, narrativas, projetos e ideias. Citando aqui, alguns trechos escritos por Paula Berbert:
“A aparente simplicidade da narrativa desvela o requinte da cosmovisão makuxi, que a partir de belíssimas imagens-síntese trata de questões fundamentais para o entendimento da arte indígena contemporânea: os sentidos estéticos da utilidade; o aspecto coletivo das práticas; as complexidades movimentadas pelo trânsito de pessoas, objetos e saberes entre diferentes dimensões espaço-temporais; a potência da produção de alianças entre diversos; as tradições formais que reproduzem a memória em múltiplos dispositivos. Está tudo ali, o Pandon de Surarî é uma evidência prática de que as cosmovisões indígenas constituem filosofias sofisticadas, completas e atuais.”
“Tempos duríssimos em que os fios do propósito quase nos escapam das mãos, exigindo muita concentração no pensamento: ‘a alegria é a maior das teimosias’, nos recordamos tantas vezes da lição sublime deixada pela mestra Bernaldina.”
É nesse caldo cultural, aqui resgatando na raíz o conceito de cultura como cultivo de ideias, artes e relações, que trago duas breves entrevistas com duas mulheres, de descendência indígena, para definir um pouco dessa vivência pessoal, que dialoga ativamente com a ancestralidade e o aquilombamento artístico no universo brasileiro da cultura.

- dica pra ouvir enquanto lê: podcast Brisa, edição especial da resistência indígena em tempos de pandemia, feito para a dublab Brasil
1) O seu trabalho na gestão cultural e comunicação é impecável: pra além do vasto currículo, é perceptível a sensibilidade aplicada a cada projeto. Como foi o processo de desenvolver essa identidade que tem personalidade e propósito?
Sinto que essa identidade que construí na minha caminhada profissional de mais de vinte anos foi resultado, antes de mais de nada, dos valores que aprendi com meu pai e minha mãe, em casa, principalmente sobre ética, memória, política e poder. Os dois vieram de realidades pobres e cada um, a seu jeito, tem histórias admiráveis de superação e me ensinaram muito.
Falando de mim, essa conquista vem de muito trabalho interno e de subjetividade. De encarar meu ego, minhas sombras, com coragem. De morrer e renascer, de me perdoar e aprender a me amar.
A maternidade foi um salto quântico na minha evolução como ser, foi um abismo onde vivi a vida-morte-vida. Minha caminhada se deu, principalmente através de experiências práticas, estudos, auto-conhecimento, escuta ativa, observação e presença.
Essa construção foi também resultado de aprendizados profissionais, intelectuais, afetivos e espirituais. E cada passo, em especial os deslizes, tropeços e quedas, foram fundamentais nessa construção.


Meu nome fala muito da minha identidade. Debora quer dizer abelha e Pill, em sua origem sérvia, quer dizer os elementos instrumentais da música. Sempre fui uma pessoa com muita disposição ao trabalho e com uma relação especial com a música.
Sou de uma geração que teve homens brancos como referências de poder. Reconheço que o trabalho de desconstrução dessas referências levou bastante tempo, mas é um caminho sem volta – e um trabalho sem fim, que segue se aperfeiçoando. Pois o colonialismo, o capitalismo e o patriarcado vão se atualizando e nós precisamos nos aperfeiçoar nas estratégias contracoloniais.
Por algum tempo senti que nada do que fazia tinha sentido. Atuei em muitas frentes profissionais no campo da Comunicação, Artes e Práticas Culturais e achava que uma coisa não tinha nada a ver com a outra. E não faz tanto tempo assim (acho que depois da tal crise da meia idade) que a ficha caiu e que percebi que cada passo, especialmente os desvios e quedas, foram essenciais para moldar quem sou hoje. Tudo fez sentido, e olho minha trajetória com orgulho. Sigo lapidando minha melhor versão a cada segundo, e quem sou hoje é uma conquista que celebro a cada dia.
2) Sua curiosidade e criatividade pulsam em cada texto, locução e curadoria: o que a impulsiona?
A vida como movimento me impulsiona. Transmutação, vida-morte-vida, as infinitas descobertas possíveis em um único dia da nossa vida. Saber-se, ao mesmo tempo grão de areia e imensidão.
Sou curiosa, amo movimento e tenho especial apreço pela experimentação, por testar coisas pela primeira vez. Isso aparece nitidamente na minha trajetória profissional.

3) Quais vivências profissionais e acadêmicas foram mais impactantes?
Da minha trajetória profissional destaco minha atuação como líder de projeto do Red Bull Music Academy, que foi uma plataforma bastante inovadora para a época. Ela existiu entre 1998 e 2018 e incluiu, além de encontros entre novos talentos e ícones de diferentes áreas da música, a realização de festivais, festas, feiras e oficinas em mais de 60 países a cada ano. Eu era responsável por mapear artistas em potencial para serem selecionados e incentivá-los a se inscreverem no projeto. Tive a honra de estar presente nas edições de Londres, Cidade do Cabo, Seattle, Melbourne, Barcelona e Tóquio, além da edição de São Paulo, que organizei em 2002.
Ainda no profissional, minha atuação em rádio foi algo muito importante. Eu comecei como colaboradora do programa Democracy Now! da rádio KPFK nos EUA, apresentando boletins sobre direitos humanos, em especial movimentos sociais. Era uma rádio independente, que incentivava os repórteres a aprenderem a gravar com recursos limitados, e essa foi minha escola, a rádio guerrilha. Depois segui para outras rádios internacionais como WDR na Alemanha e Radio Nova na França, assim como rádios comerciais no Brasil como Eldorado, Rádio UOL e Roquette Pinto. Um momento que lembro com carinho foi quando fiz a transmissão ao vivo das Olimpíadas do Rio de Janeiro para a rádio pública alemã WDR, falando sobre algumas atrações musicais como Elza Soares e MC Soffia e também sobre a conjuntura sócio-política daquele momento.

Também gosto de me lembrar da criação da minha relação com o midiativismo, das participações em edições do Fórum Social Mundial (Porto Alegre 2004 e Belém 2009) assim como da criação do Mídia Ninja, quando Bruno Torturra estava desenhando um coletivo independente de jornalistas ativistas e eu, que colaborava com ele na época, inventei esse nome: Núcleo Independente de Jornalismo e Ação.
Sinto que das vivências acadêmicas, estou sendo profundamente impactada neste exato momento em que iniciei um mestrado em Artes e Práticas Culturais na PUC-SP que foca em perspectivas decoloniais e anti-hegemônicas. No início de março vivenciei duas semanas de aulas presenciais e conheci pessoas maravilhosas de todo Brasil e tive aulas com nomes como Rosana Paulino, Lia d Castro e Rosana Borges.

4) Em específico após a pandemia da Covid-19, ocupar espaços públicos tornou-se tão necessário quanto desafiador, e você vem desenvolvendo um projeto ativo de espaço e curadoria propícia para a aproximação do MASP com a população por meio do Vão do MASP. Como tem observado a dinâmica da ocupação? Acha que ainda existem empecilhos a serem driblados?
Sim, em maio iremos celebrar um ano de programação regular no Vão livre do MASP, ou seja, com atividades acontecendo toda semana. Considero uma grande conquista manter uma programação gratuita e sem interrupções, com diferentes linguagens artísticas como música, cinema, teatro, literatura, oficinas de arte e práticas de saúde e bem-estar, como a yoga.
A dinâmica da ocupação do Vão priorizou os públicos que estão ausentes no museu, ou seja, crianças, idosos, pessoas não-brancas, periféricas, LGBTQIA+ e PCD. Além disso, pessoas em situação de vulnerabilidade que já frequentam o Vão livre.
Nesse um ano de atuação, o foco tem sido nesses públicos e tivemos ótimos resultados, que mostram que o Vão deixou de ser espaço de fila para entrar no museu para se tornar um espaço de convivência, pausa e encontros.
Uma das estratégias foi focar em atividades que sejam acolhedoras, e não meramente entretenimento. Atividades que convidem as pessoas a sentirem pertencimento e também participarem, serem co-criadoras. E isso é somente o começo. Ainda temos empecilhos a serem driblados, mas seguiremos com foco nesse propósito que está diretamente ligado ao projeto original da Lina Bo Bardi quando desenhou o Vão: um espaço de encontro entre as pessoas, a cidade e a arte a céu aberto.

5) Como sua ancestralidade indígena se expressa através da sua existência e do seu trabalho?
Venho de uma família pobre, minha mãe veio de Bom Jesus da Lapa, sertão da Bahia, onde vivia e trabalhava na roça. Aos onze anos veio pra São Paulo fugindo da violência doméstica. Ela só estudou até a quarta série, e começou a trabalhar cedo para se sustentar. Por outro lado, ela tem um conhecimento profundo sobre as plantas e uma relação muito íntima com a espiritualidade, que ela traz de sua ancestralidade indígena e de sua vivência lá do sertão.
Não sabemos nada sobre minha bisavó indígena, nem o nome dela. Ela era mãe do meu avô materno e não sabemos nada por conta do apagamento histórico. Sigo na investigação dessa ancestralidade, tudo indica que seja ligada aos Tupinambá da Bahia, mas recentemente minha mãe me contou de sua família ter participado de uma comunidade de resistência chamada Pau de Colher, tenho pesquisado isso também.
Em relação a valores dessas ancestralidades, busco aprender e praticar os valores do Bem-Viver na minha vida como um todo, através da comunicação não-violenta, do cuidado com a palavra, da relação com a espiritualidade, com a natureza, com os sonhos, com o invisível.
6) Utopicamente, como você gostaria que o mercado cultural e a economia criativa fossem aqui no Brasil?
Gostaria que o foco fosse na cooperação e não na competição e extrativismo. Isso já seria uma grande transformação.
- dica de leitura complementar à entrevista: Como o MASP vem abrindo espaço para DJs mulheres e criando paisagens sonoras em SP, por DJ Maravilha – via Music Non Stop
- outro complemento: ouça o podcast o podcast Risca Faca

- ouça “Flecha Envenenada” enquanto lê; com a participação Dessa Ferreira, Oderiê, Jordana Henriques, Carimbó Selvagem. A produção musical é assinada por Posada, Aghata, Dessa Ferreira, Diabelsmusic e DJ MTN9090; mixagem e masterização de Luís Lopes.
1) Do violino aos decks, do canto à produção, você percorreu uma trajetória em diversas frentes do âmbito da música e da cultura de rua: como você foi conectando essas experiências para criar sua identidade artística?
Esse caminho que eu percorri, ele sempre aconteceu de uma maneira muito natural. Por eu ter esse incentivo desde criança de conhecer o mundo a partir da arte e de várias linguagens, então por essa sementinha ter sido plantada tão cedo na minha vida, eu sempre carreguei isso comigo, desde então – tudo que de alguma maneira se vinculava a música, aprender outros instrumentos, eu acabava experimentando, brincando também, então a música ocupou na minha vida desde cedo, este lugar de ser muito íntimo, mas também ser muito leve, ser algo prazeroso. Eu sempre senti essa liberdade de ir me descobrindo ao longo da minha formação pessoal, conectada ao fazer música, ao ambiente musical, de alguma maneira também me comunicar a partir da arte.
Minha identidade artística reflete muito isso, por percorrer vários anos da minha vida dentro da música, inevitavelmente eu fui me experimentando em várias frentes, podemos dizer assim. Então, isso se reflete muito na forma como eu proponho a minha criação; tanto pensando em um DJ set, em que eu gosto de transitar por vários estilos, criar histórias, também trazer diversidade de gêneros. Assim como, pensando nas composições e no que eu tenho produzido, eu também me dou a liberdade de experimentar e fazer diversas sonoridades.
E refletindo agora, eu percebo que, muito do que me conduziu nesta identidade artística que foi se moldando ao longo dos anos, está dentro de revisitar o que eu já fiz ou o que eu tenho pra conhecer, pra buscar, pesquisar, resgatar de inspiração. Então, isso sempre foi uma forma de tornar mais palpável minhas referências, e a identidade é muito fruto de todas essas experiências e referências que sempre fizeram parte dos meus processos artísticos.

2) Música brasileira, texturas regionais, reggae, dub, rap, música eletrônica: como esse trânsito musical a inspira nos diversos projetos que desenvolve?
Essas sonoridades sempre estiveram presentes no meu cotidiano, desde as músicas que minha mãe e meu pai escutavam durante minha infância – música brasileira das mais diversas, de artistas amazônidas e nordestinos por parte de mãe, e a música de influência colombiana-caribenha como bolero, cúmbia, salsa por influência do meu pai, e além do que eu ouvia em Belém do Pará, como o brega, o reggae e o carimbó; então, esses foram os universos que moldaram meu gosto musical.
E essa pluralidade sempre esteve presente comigo como fonte de criatividade e também de expressão; sempre que possível apresento essas sonoridades nos meus sets; de diferentes forma;
Então, compreendo que de alguma maneira, eu sempre busquei (talvez até inconscientemente) me permitir flutuar livremente pelas minhas inspirações e referências, mergulhando diretamente nestas sonoridades no meu processo artístico e de criação e que, pensando num resultado, essa diversidade se apresenta naturalmente na performance final.

3) Quais vivências profissionais e acadêmicas foram mais impactantes?
A Residência Artística do Projeto Concha, sem dúvidas, foi uma das experiências mais incríveis que tive a oportunidade de vivenciar, tanto profissionalmente quanto de uma forma pessoal, pra vida mesmo.
Esse projeto reuniu 15 compositoras do Rio Grande do Sul para aprofundarmos nossos processos artísticos e principalmente de criação. Foi como um divisor de águas, ter a oportunidade de aprender com nomes de peso como Juçara Marçal, Alessandra Leão e Isabel Nogueira, e se colocar a pensar sobre, ocupando os espaços que a gente ocupa, foi importante demais para abrir muitos caminhos.
Arruaça pra mim foi e segue sendo um acontecimento, quando iniciamos o coletivo, lá em 2013, vivemos momentos de muita pulsação, descobertas e movimentos intensos na cidade; e desde então, o impacto cultural seguiu resistindo e se desdobrando em muitos outras iniciativas a partir de lá, considero a Arruaça como uma das minha mais valiosas vivências.
Festival da Red Bull e Mamba Negra foram também duas festas que elevaram o nível do trampo, ter trocado 5 horas na Mamba lá em meados de 2018, foi uma grande virada de chave pra aquela jovem DJ, penso que a partir desses eventos fortaleci muitos vínculos que já vinha construindo mutuamente em diversas cenas musicais pelo Brasil, inclusive, falando em momentos marcantes, isso me lembrou muito Heliodora, que com certeza, foi um dos encontros em que as sementes plantadas renderam muitos frutos!
Uma outra parada que eu amo fazer, é compartilhar o que tenho de conhecimento em cima do ofício do DJ e da percepção musical de um modo geral; assim como aprendi com muitos professores, me sinto honrada em poder repassar para quem se interessa; então gostaria de destacar as Oficinas de Discotecagem nas Escolas Públicas que fiz no ano passado, dentro do projeto da Flecha Envenenada; ter tido essa troca com os estudantes adolescentes da escola pública, foi muito gratificante e de uma potência e sentimento pra se emocionar.

4) Recentemente você lançou seu primeiro álbum autoral, “Flecha Envenenada” que expande entre raízes indígenas e manifestações urbanas e eletrônicas, com letras bem pessoais: como foi o processo desde a concepção inicial, fomento via edital e lançamento? Pretende lançar em vinil? E qual mensagem você deseja que o álbum ecoe pelos próximos anos?
A ideia e a representação da Flecha Envenenada na minha caminhada ganhou um significado na pandemia, neste período foi quando me aprofundei no processo de produção musical, composição, escrita e etc, tudo isso muito vinculado ao momento difícil e desafiador que estávamos passando, coletivamente, e ao mesmo tempo que, condicionados a viver processos individuais por conta de força maior.
Então, naquele momento, essas atividades estavam me fortalecendo.
Nesse período de reflexão e de retomada da minha identidade, junto ao processo de finalização da minha graduação, me coloquei a elaborar sobre minha perspectiva dentro da cidade e na universidade pública; e a partir desse momento eu enxerguei o fio condutor para a ideia do álbum; a narrativa que proponho com a Flecha Envenenada, é representar as minha raízes, ou seja, trazer as sonoridades que ecoam nos territórios dos meus antepassados, e conectar com a minha trajetória artística e musical dos dias de hoje, pensando que esses movimentos culturais e musicais que compõem o álbum ocupam as cidades com música na rua; trago nas letras as memórias ancestrais do que escutei da minha mãe e do que foi passado pelos meus parentes e também as minha vivências, dos meus corres e reflexões.
A partir dessa proposta, o álbum havia sido contemplado pelo edital da Natura Musical em 2023, porém, por questões políticas, nós artistas do sul não recebemos o repasse da verba destinada, sendo assim, o lançamento do álbum que estava previsto para 24/25 teve que ser adiado, porém, conseguimos aprovar o projeto pela Lei Paulo Gustavo do RS, que possibilitou a gravação, além das oficinas gratuitas, um show de pré-lançamento e o trabalho de muitos artistas envolvidos.
Sim, meu sonho lançar em vinil, e estou trabalhando para que isso aconteça futuramente, agora que o corre todo do lançamento passou, estou começando a pesquisar as melhores maneiras para colocar as bolachas nas ruas, mas torcendo que vai dar certo!

5) Sua ancestralidade indígena nutre sua criatividade de quais outras formas, pra além da produção musical?
Ela está muito atrelada aos meus processos de auto-conhecimento, de inspiração diária e como alimento para me manter curiosa, me sentir viva através das histórias, pesquisando e absorvendo as culturas que representam as memórias dos territórios que são as minhas raízes.
6) Utopicamente, como você gostaria que o mercado cultural e a economia criativa fossem aqui no Brasil?
Acredito que temos muito pra crescer; talento, excelência, dedicação e entrega não nos falta, porém, mesmo com tantos artistas geniais, projetos de relevância, somos carentes de cultura, desde a forma como somos submetidos a existir, buscando o mínimo pra sobreviver, fica difícil até de falar do básico; de cultura, incentivo público e uma pá de coisa, mas uma coisa eu tenho certeza; o que a gente faz é um ato de coragem, com doses de amor.