Sampa Cast: estúdios públicos e gratuitos abrem caminhos para mulheres na comunicação e na música

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Sampa Cast: estúdios públicos e gratuitos abrem caminhos para mulheres na comunicação e na música

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Com a inauguração de novos espaços na Cidade Ademar, São Paulo chega a dez estúdios de podcast e três de produção musical. Conheça mulheres que já utilizaram o programa e saiba como agendar uma gravação.

Quanto custa tirar uma ideia do papel? Para quem deseja produzir um podcast, gravar uma música ou começar uma carreira na comunicação, o preço dos equipamentos e dos estúdios profissionais pode ser um obstáculo. Mas uma iniciativa pública na cidade de São Paulo está ajudando a mudar essa realidade. Criado em 2022, o Sampa Cast oferece gratuitamente infraestrutura profissional para gravação de podcasts e videocasts. Em outubro de 2026, o programa chegou à sua décima unidade, inaugurada na Casa de Cultura da Cidade Ademar, na zona sul da capital.

A novidade vem acompanhada de outro equipamento: o Sampa Áudio, estúdio destinado à produção musical, que passa a contar com três unidades na cidade. Os espaços foram inaugurados em 23 de outubro e começaram a atender no dia 27. São oportunidades para artistas independentes, jornalistas, radialistas, podcasters, produtoras culturais e criadoras de conteúdo que desejam desenvolver seus projetos sem precisar investir, logo de início, em equipamentos de alto custo.

Uma história que começou em 2022

A primeira unidade do Sampa Cast entrou em operação em agosto de 2022, no Hub Green Sampa, em Pinheiros. Depois vieram os estúdios de Heliópolis, Lapa e outras regiões da capital. A expansão integra as ações da Agência São Paulo de Desenvolvimento (ADE SAMPA), ligada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, que mantém iniciativas de apoio ao empreendedorismo, à inovação e à economia criativa.

O programa nasceu para facilitar o acesso à produção audiovisual, especialmente para pessoas que não possuem equipamentos próprios ou recursos financeiros para contratar serviços particulares. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura, mais de quatro mil gravações já haviam sido realizadas até abril de 2024. São produções que podem envolver empreendedorismo, educação, cultura, entrevistas e diferentes formas de compartilhar conhecimentos e experiências.

Para a Hora do Sabbat, que desde 2018 trabalha pela ampliação da escuta e do protagonismo das mulheres na música e na comunicação, iniciativas como essa despertam uma questão importante: quantas carreiras podem começar quando uma pessoa encontra as condições materiais necessárias para produzir e divulgar seu trabalho?

Mulheres que já transformaram oportunidades em projetos

Entre as profissionais que encontraram no Sampa Cast uma oportunidade para desenvolver seus projetos estão Vivian Castanheda e Priscila Berquó, criadoras do Compartilha Cast. O podcast nasceu do desejo de compartilhar experiências profissionais, histórias de empreendedorismo e aprendizados de pessoas com diferentes trajetórias.

As duas conheceram o programa em 2022, quando procuravam um espaço para gravar. Em março de 2024, segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, o Compartilha Cast já tinha mais de 90 episódios gravados. Na ocasião, Vivian explicou que uma gravação em estúdio particular poderia custar entre R$ 300 e R$ 500. A possibilidade de utilizar gratuitamente uma estrutura profissional ajudava a manter o podcast, que ainda não contava com patrocinadores.

Outra experiência é a de Isa Barros, criadora, ao lado de Ed Santos, do podcast Preto e Dinheiro. O programa apresenta histórias de empreendedores negros, compartilha experiências de negócios e promove conversas sobre oportunidades, desafios e educação financeira. Em reportagem publicada na revista ADE SAMPA News, em 2024, Isa e Ed aparecem entre as pessoas que utilizavam os estúdios públicos para produzir seus conteúdos.

A proposta do Preto e Dinheiro também revela a importância da comunicação na construção de referências. Ao apresentar trajetórias de pessoas negras em diferentes setores profissionais, o podcast contribui para ampliar o repertório de histórias que circulam nas plataformas digitais. Afinal, compartilhar experiências de trabalho também significa mostrar possibilidades para quem está começando.

A comunicação como espaço de aprendizagem e inclusão aparece ainda na trajetória de Giovanna Oliveira, estudante de Rádio, TV e Internet que participou da criação e apresentação do podcast Bora Incluir, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo. Giovanna, que tem baixa visão, desenvolveu o programa com André Cukierkorn, também estudante e pessoa com deficiência. O projeto utilizou o Sampa Cast de Pinheiros e envolveu os próprios estudantes nas etapas de roteiro, produção, gravação e edição.

Em setembro de 2023, quando completou um ano, o Bora Incluir contabilizava 13 episódios e mais de 15 pessoas entrevistadas. A experiência, documentada pela Prefeitura de São Paulo, demonstra como o acesso à infraestrutura pode contribuir para a formação de novos profissionais, permitindo que o conhecimento adquirido na universidade seja colocado em prática.

As histórias de Vivian, Priscila, Isa e Giovanna mostram diferentes possibilidades de utilização desses equipamentos. São mulheres que encontraram na comunicação uma ferramenta para compartilhar conhecimentos, desenvolver projetos, ampliar representações e construir experiências profissionais.

E quando o sonho é trabalhar com música?

A inauguração do Sampa Áudio na Cidade Ademar também merece atenção. O equipamento oferece estrutura para gravação, mixagem e masterização, além de instrumentos e suporte técnico especializado. Artistas podem desenvolver demos, produzir trilhas sonoras e realizar gravações musicais. A nova unidade se junta às instalações do Pinheirinho D’Água e do Parque Novo Mundo.

Para uma cantora, compositora ou musicista independente, ter acesso a um estúdio pode representar a possibilidade de registrar uma composição, preparar um material de apresentação ou experimentar novas sonoridades. Essas produções podem integrar portfólios e contribuir para a participação em editais, festivais e outras oportunidades profissionais.

Mas a cadeia produtiva da música não se limita a quem aparece diante dos microfones. Existem profissionais responsáveis pela captação, edição, gravação, mixagem, masterização e operação dos equipamentos. Por isso, a expansão de estúdios públicos também abre uma discussão sobre a importância de ampliar a formação técnica, especialmente entre jovens e mulheres que desejam trabalhar nos bastidores da produção sonora.

É importante destacar que a utilização dos espaços não equivale, por si só, a um curso de formação profissional. A possibilidade de associar esses equipamentos a oficinas, estágios e programas de capacitação representa um caminho a ser desenvolvido para fortalecer ainda mais essa política pública.

O primeiro passo de muitas carreiras

Uma jovem interessada em jornalismo pode começar produzindo entrevistas. Uma futura radialista pode experimentar formatos de apresentação e construir seu portfólio. Uma produtora cultural pode criar um programa para divulgar artistas do seu território. Uma compositora pode registrar suas primeiras músicas. São possibilidades que aproximam a formação, a criatividade e o mundo do trabalho.

Disponibilizar equipamentos gratuitamente também significa reconhecer que talento e dedicação não são suficientes quando faltam recursos para produzir. A continuidade dessas iniciativas, sua divulgação nos territórios e a criação de oportunidades de aprendizagem e circulação dos trabalhos são fundamentais para que o acesso se transforme em desenvolvimento profissional.

Na Hora do Sabbat, defendemos que as mulheres sempre tiveram voz. O que precisamos ampliar são as condições de escuta, produção, circulação e reconhecimento de seus trabalhos. Quando os meios de produção cultural se tornam mais acessíveis, mais histórias podem ser registradas, mais talentos podem encontrar oportunidades e novas gerações podem imaginar outros caminhos para suas vidas.

Como utilizar os estúdios gratuitos

Os novos espaços estão instalados na Casa de Cultura da Cidade Ademar, localizada na Avenida Durval Pinto Ferreira, 820, Jardim Itacolomi, zona sul de São Paulo.

Sampa Cast — podcast e videocast

O agendamento deve ser feito pela plataforma app.adesampa.com.br, mediante cadastro. As reservas são abertas mensalmente no dia 20, às 9h, ou no próximo dia útil, para utilização no mês seguinte.

Cada reserva tem duração máxima de 90 minutos, com até quatro participantes por gravação. É necessário levar um dispositivo para armazenar os arquivos. O material é entregue bruto, e a edição fica sob responsabilidade de quem utiliza o espaço. O estúdio não oferece transmissões ao vivo.

Sampa Áudio — gravação musical

O agendamento da unidade da Cidade Ademar pode ser realizado pelo calendário oficial de reservas do Sampa Áudio.

O estúdio oferece recursos para gravação e produção musical, incluindo mixagem e masterização, conforme as condições de atendimento e disponibilidade.

Funcionamento da unidade Cidade Ademar: terça-feira a sábado, exceto feriados, com horários divulgados às 9h15, 11h, 14h e 16h.

Para consultar as demais unidades, orientações de uso e regras de agendamento, acesse a página oficial dos estúdios da ADE SAMPA.


A Hora do Sabbat quer conhecer outras mulheres que utilizam esses espaços!

Você é cantora, compositora, produtora musical, jornalista, radialista, técnica de áudio ou criadora de conteúdo e já utilizou algum dos estúdios públicos de São Paulo? Compartilhe sua experiência com a gente pelo Instagram @horadosabbat.

Queremos conhecer suas histórias, seus projetos e os caminhos que você está construindo. Porque ampliar a escuta também é reconhecer o trabalho das mulheres que fazem a cultura e a comunicação acontecerem.

Eu Escuto, Eu Apoio!

Assim como os estúdios públicos ampliam o acesso aos meios de produção, a comunicação independente também precisa de apoio para continuar existindo. Desde 2018, a Hora do Sabbat abre espaço para a música, as histórias e o trabalho das mulheres, fortalecendo uma rede de escuta, informação e cultura.

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