AMAÉ quer dizer chegada em tupi-guarani e também dá título ao mais recente trabalho da cantora, percussionista, compositora e regente de bateria Mazé Cintra (@maze_cintra), que aposta no canto e na percussão como eixos principais de sua extensa caminhada musical.
Ela participou de vários grupos vocais como Cantolivre, Tule e Vésper Vocal, com este último, tem quatro CDS gravados “Flor D’Elis”, Ser Tão Paulista”,“180 anos de Samba” e “Vésper Na Lida”.
Também fez parte da “Abaçaí Cultura e Arte” e “Projeto Clareira” com os quais viajou pelo Brasil e exterior e gravou o disco “Cantos do nosso Chão”.
Com esses coletivos dividiu o palco com importantes artistas como Paulinho da Viola, MPB4, Uakti, Elza Soares, Marlui Miranda, Alessandra Leão, entre outros. Integrou desde a sua fundação o Bloco Afro “Ilú Obá de Min” – que resgata o protagonismo da mulher preta – onde atuou como regente, coordenadora de naipe, diretora musical e arranjadora. Desde 2024 está como regente do bloco @quequedeubloco, um coletivo de percussão, canto e sopro formado por mulheres.
Recentemente tem se dedicado ao trabalho autoral, mostrando a diversidade musical brasileira, brincando e dialogando com a voz e as várias texturas e sonoridades da percussão e das cordas em diversos ritmos como o ijexá, samba, maracatu e congado.
Em março de 2023, Mazé lançou o EP “MAZÉ” com quatro canções e em 2024 o autoral “AMAÉ” com parcerias de artistas como Juçara Marçal, Jonathan Silva, Anná, Camila Trindade e Vange Milliet. A direção musical é do multi-instrumentista e pesquisador Filpo Ribeiro, que forma com Dalton Martins e Thata Ozzetti o time de músicos que acompanha a cantora, mostrando um rico colorido de timbres que dão um destaque especial aos arranjos das composições.
Apesar de estar na cena musical há 35 anos, somente agora, no auge dos seus 64 anos, Mazé Cintra sentiu que era o momento ideal para se lançar como cantora solo. Ela mostra que em qualquer tempo é possível criar e se reinventar. “Não há idade e nem modelos fechados para a mulher se colocar. Tenho uns bons anos de carreira musical, mas sempre em coletivos. Acho que a pandemia fez nascer em mim o desejo de fazer algo autoral. No disco tem uma canção chamada “Chegada” que exprime exatamente o nascimento deste trabalho solo e é o carro-chefe do disco que conta com 12 canções e muitas parcerias”. ressalta.
Mazé vem de uma família musical, a mãe era cantora lírica, e é apaixonada por percussão. O pai apaixonado por Carnaval. “As composições sempre surgem quando estou tocando alguma coisa. Tocando tambor, por exemplo. Eu gosto muito da cultura popular, do canto tradicional. Cresci escutando congadas, MPB, samba, Jovem Guarda, enfim, uma miscelânea de sons. Algumas das minhas influências são os grupos como RUMO e o cantor Itamar Assumpção, por quem sou apaixonada. Eu sou uma pessoa que gosta muito do coletivo, de juntar pessoas, de parcerias. E isso é muito rico em termos criativos”.
A percussão é a força motriz do trabalho da artista. “A percussão brasileira e a variedade de ritmos que temos é algo muito rico. E a presença feminina é muito forte aí também, apesar do predomínio ainda ser masculino. Lembro agora da Congada de Santa Ifigênia, de Mogi das Cruzes, que tem uma capitã mulher, que herdou esse legado do seu pai. A congada é uma das manifestações culturais mais ricas, uma verdadeira expressão de devoção e fé. Eu sou uma pessoa e uma artista que acredita na força do feminino”.

Saiba mais:
Instagram @maze_cintra
https://www.youtube.com/@mazecintra
Spotify – Ouça a entrevista completa com Mazé Cintra no Projeto Entre Elas – episódio 84