Antes de se tornar conhecida como Trixie, Talita já havia enfrentado cedo o desafio de empreender. Hoje, sob sua persona artística, conquista clientes adeptos à estética maximalista e reúne mais de 17,3 mil seguidores no Instagram. Por trás do nome, está a jovem que transformou dificuldades em coragem e reinvenção.
Movida pelo sonho de ter o próprio negócio, aos 17 anos iniciou um curso de corte e costura no Senac. Pouco antes da pandemia, já havia investido em maquinário próprio: três máquinas, muitas ideias e o nascimento entusiasmado de uma marca de durag, acessório de forte simbologia na cultura negra.
Sozinha, costurou mais de duzentas peças para iniciar sua jornada. Mas a juventude, o luto recente pela perda do pai e a inexperiência em gestão pesaram. “Eu não tinha noção de como administrar uma empresa”, relembra Talita. O resultado: pouco lucro, estoque encalhado e o encerramento de um projeto tão sonhado.
Sem alternativa, buscou estabilidade financeira voltando ao regime CLT e deixando, ainda que temporariamente, o sonho de empreender. O ritmo exaustivo e a rotina pesada do novo trabalho a levaram a um quadro delicado de saúde física e mental.
Um ano depois, pediu demissão e voltou a costurar, mas percebeu que já não havia amor naquele ofício. Foi então, quase por acaso, que decidiu fazer um curso de unhas. Era um módulo básico, sem decoração. Tudo o que aprendeu sobre nail art veio da curiosidade e da pesquisa própria. “Fiz o curso e me apaixonei”, conta.
No início, a realidade de ser nail artist estava longe do brilho atual. As primeiras experiências foram frustrantes: levava oito horas para concluir uma aplicação e, mesmo assim, o resultado não era satisfatório. Nem modelos voluntárias aceitavam ser clientes, ainda que de graça. “Sem cliente você não treina, sem treino você não melhora”, resume.
A desmotivação quase a fez desistir, mas Talita decidiu persistir. Passou a divulgar seu trabalho com mais intensidade, aceitar fazer unhas de graça para ganhar experiência e enfrentar situações desafiadoras em salões que ainda não acreditavam em seu potencial.
Chegou a atender apenas quatro pessoas em três meses em um bairro de classe média. Em outro, sofreu descrédito e até roubo. Ouviu que nail art “ninguém pagava para ter”. Mas, dentro dela, a convicção era clara: queria viver disso.
Persistência virou sinônimo do seu nome. O que era instabilidade transformou-se em números expressivos. Assim nasceu Trixie, a persona artística que Talita criou para dar forma à sua identidade profissional: jovem, conectada às tendências nacionais e internacionais e ao universo digital. Pesquisa referências no Pinterest, cria designs inspirados no Y2K e no maximalismo, além de dar vida a desejos trazidos por suas clientes. E as ideias são diversas: de flores vistas na rua a xícaras de café, cada unha carrega autenticidade e personalidade.
Mais do que estética, Trixie percebeu que seu trabalho era uma ferramenta de expressão, identidade e pertencimento. Muitas clientes, especialmente mulheres negras e LGBTs, encontram nas unhas uma forma de afirmar estilo, autoestima e voz. “A nail art me salvou”, afirma.

Ela explica que, diferente da manicure tradicional, a nail designer trabalha com preparação química específica, uso de materiais avançados e técnicas de alongamento, como gel na tips, fibra de vidro e molde. A durabilidade, de até 30 dias, também transforma a relação do cliente com o serviço.
No cenário nacional, Trixie aponta limitações: poucos materiais de qualidade produzidos no Brasil e alto custo de importação. Ao mesmo tempo, o crescimento da área abriu portas. Hoje, nail artists podem se tornar embaixadores de marcas, criadoras de conteúdo, palestrantes e empreendedoras de suas próprias linhas de produtos.
Aos 23 anos, Talita nunca ficou sem suas próprias unhas em gel. “Não existe Trixie sem unhas”, garante. Para ela, mais do que vaidade, trata-se de identidade.
O preconceito ainda existe. O estilo maximalista é frequentemente taxado de “brega” ou “exagerado”. Mas ela não se abala. “Uso o que me faz sentir bem, sem interferência externa.”
Ao citar artistas como Cardi B e Ajuliacosta, que ajudam a legitimar a nail art como linguagem estética, Trixie enxerga ecos de sua luta: romper padrões que associam feminilidade à delicadeza. “As unhas também são cultura, identidade e pertencimento. São símbolos da nossa expressão”, defende.
Quando questionada sobre quem gostaria de atender e produzir nail arts, não hesita: Rihanna.
De um estoque encalhado de durags a uma cartela fiel de clientes, Talita encontrou em Trixie sua força criativa e profissional. A trajetória foi construída em meio a desafios, descrédito e reinvenções. Hoje, ao olhar para trás, define o empreendedorismo como coragem.
“Não desistam. Não deixem que as opiniões alheias ditem o que vocês devem fazer. Sonhar exige coragem para começar e para continuar, mesmo com todas as dificuldades”, aconselha.

Seja pela coragem de Talita ou pela autenticidade de Trixie, o certo é que ela projeta não apenas arte, mas também uma narrativa de resistência, independência financeira e liberdade criativa. O que começou quase por acaso transformou-se em destino.
Para conhecer mais das criações de Trixie, que impressiona com unhas longas, maximalistas e designs autênticos, te convido a visitar sua página no Instagram @by.trixie.nails
Respostas de 6
Que trabalho incrível! 🥹😍
Essas colunas tem se tornado um verdadeiro catálogo de inspirações e boas indicações de serviços femininos! Obrigada, Shirlane. 🙏🏾
Brabo demais titia vc arrasou
Vc arrasou nesse
A melhor que nós temos 🩷
Nossa tia vc ameaçou esse
Amei a história da Trixie