Top 3: os melhores álbuns de 2025 lançados por mulheres

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Top 3: os melhores álbuns de 2025 lançados por mulheres

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De Marina Sena à dupla Irmãs de Pau, passando pela força lírica de Ebony, esses discos são os melhores do primeiro semestre do ano

Chegamos ao fim do primeiro semestre de 2025 com a certeza de que a música feita por mulheres continua sendo o pilar da cena brasileira. Entre batidas que narram a quebrada, vozes que traduzem desejo e álbuns que não têm medo de ser múltiplos, três lançamentos se destacaram pela força com que ocuparam seus próprios espaços, sem concessões, com estética afiada e muito a dizer. Esta lista reúne os três melhores discos lançados até agora por artistas que estão moldando o som e o discurso do presente: Ebony, Marina Sena e Irmãs de Pau. Três nomes, três mundos, todos indispensáveis.

Marina Sena – Coisas Naturais

Marina Sena entendeu que pra ser vanguarda, às vezes, é preciso pisar no barro. Coisas Naturais, seu terceiro álbum, é isso: um reencontro com os barulhos que vêm de dentro. Gravado num sítio em São Roque, o disco soa como brisa e madrugada quente, ao mesmo tempo que nos faz sentir em uma praia no final de tarde com aquele sol refletindo no mar. Marina se despe dos artifícios do pop industrial e veste um som mais orgânico. Mas não se engane: ela continua ousada. A produção, feita com A Outra Banda da Lua, transita entre o afrobeat disfarçado de samba, o piseiro que virou jazz. Marina junta os cacos do Brasil e cola tudo junto com outras referências que carrega consigo. Sua voz está mais livre, menos moldada, mais intuitiva. Parece que ela deixou de querer agradar e começou a dizer o que sente. E isso, num mercado que quer performance o tempo todo, é um gesto político. Coisas Naturais é um disco pra deixar tocar enquanto se escreve uma carta, se beija alguém com olhos fechados, enquanto faz aquele coque no cabelo molhado de mar, e, principalmente, pra se sentir uma grande gostosa refinada. É um disco que entende que o simples também é sofisticado, e que Marina Sena não precisa provar mais nada.

Gambiarra Chiq Pt. 2 – Irmãs de Pau

Gambiarra Chic Pt. 2 é uma colagem feroz de funk, trap, jersey club e drill, com letras que falam de dinheiro, independência e vivência trans de um jeito que não se vê por aí: cru, sem pedir desculpas, e ao mesmo tempo embalado numa estética apurada, cheia de camadas, com beats assinados por uma rede potente de produtores da cena queer e periférica. O álbum mostra esse amadurecimento. Há uma sofisticação na sonoridade que não apaga a malícia, pelo contrário, acende. O mais interessante é que, apesar do alcance cada vez maior (já lançaram feat com Pabllo Vittar e viralizaram no TikTok), elas continuam guiando a própria trajetória. Fazem seus corres, constroem com recursos próprios e não esperam o aval de ninguém. É um álbum farofa e ao mesmo tempo chique. Eu te desafio a pensar em algum outro álbum com o mesmo appeal que esse.

KM2 – Ebony

O terceiro álbum da rapper carioca Ebony, KM2, lançado em maio de 2025, é um manifesto sonoro que parte diretamente da Baixada Fluminense. Ela evoca as lembranças da infância para construir uma narrativa que afirma com força sua identidade, seu posicionamento político e uma inesperada leveza. Em menos de 30 minutos, o disco surpreende ao misturar batidas de funk, samples jornalísticos e experimentações sonoras, compondo faixas que funcionam como colagens urbanas, pedaços de memória, rua e atitude costurados por um flow firme. Algumas faixas possuem bem menos de 3 minutos, mas não dá a sensação de que falta algo.

Mais do que ritmo, Ebony entrega lirismo com humor e sensibilidade. A escolha estética é tão política quanto o conteúdo: não houve single de pré-lançamento nem campanha publicitária. Ebony simplesmente lançou. A capa, um desenho infantil, esconde uma força simbólica profunda, anunciando que essa é uma artista que aposta no próprio tempo, na própria voz.

Ebony não fala de deixar o passado pra trás, mas de carregar cada pedaço dele, transformando em arte, em verso, em soco e em pista. O resultado é um trabalho leve e contundente, divertido e sério, que traduz a crueldade da quebrada em brilho, verdade e identidade.

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