No prefácio de “Tudo Sobre o Amor”, Silvane Silva sumariza uma importante definição do estudo de Bell Hooks sobre “Amor”:
“A melhor definição de amor é aquela que nos faz pensar o amor como ação […] a afeição seria apenas um dos componentes do amor. Para amar verdadeiramente devemos aprender a misturar vários ingredientes: cuidado, afeição, reconhecimento, respeito, compromisso e confiança […] uma das contribuições fundamentais trazidas por Bell Hooks é nos fazer pensar que as ações que constroem os sentimentos.”
No livro, Bell Hooks também fala sobre como usamos a “ação de amar” mundamente, esvaziada de sentido e intenção, por falta de compreensão sobre a magnitude desse sentimento. Amar vira “qualquer coisa”.
A intencionalidade do amor, vem muito do entendimento do que é amar… dos ingredientes citados acima. Se amor, para você, é apenas a afeição ou apenas compromisso, apenas um sentimento… quem sabe, apenas atração, a chance é que o amor que você dá e aceitar ser fugaz. Nem sempre é um problema ter relações assim… mas devemos reduzir “O Amor” à isso?
Nosso entendimento do que é amar, define muitas relações na nossa vida, desde relações fraternas a românticas. Mas não percebemos que nossa forma de amar define a nossa relação com a pessoa mais importante da nossa vida: nós mesmas.
O autoamor… é difícil se amar nesse mundo, especialmente sendo uma mulher. Socializada a reprimir, condenar, comparar, negligenciar, colocar os outros acima de nós.
Para quem não conhece, no panteão Yorubá, existe uma deusa ou orixá: Oxum.
Os orixás são, primordialmente, como todos os deuses de culturas politeístas, representações da natureza, lições compartilhadas pela espiritualidade com objetivos de guiar, e ensinar aqueles nesse plano, coisas muito importantes para uma vida de equilíbrio e evolução.
As lições de Oxum, muito comumente estão ligadas ao amor.
O amor que Oxum nos apresenta é incondicional. Não vem de lugar nenhum, e nem vai. Não começa e nem acaba. É intrínseco e abundante, mas intencional.
Em alguns contos, Oxum é mãe de muitos filhos. Uma ótima mãe.
Diz-se nesses contos que Oxum “lava suas joias antes de banhar seus filhos”, e é uma ótima mãe. O amor de Oxum, como mãe, também é incondicional.
Ela já conhecia o amor antes de ter filhos.
Ela aprendeu a amar com a pessoa mais importante de sua vida, ela mesma.
Sem Oxum, não há amor. Sem amor não há vida.
A semiótica da pequena fábula sobre Oxum lavar suas jóias, apresenta uma ação intencional que reflete seu amor próprio. Sobre a necessidade de priorizar e agir por nós mesmas conscientemente, de nos cuidar e respeitar, nos compreender e acolher. Para assim poder amar o próximo.
A semente do amor que Oxum planta no nosso coração, floresce ao ser bem cuidada.
Em um bom solo, com uma boa luz, regada nos momentos certos, falada com amor. Essa semente brota, cresce, dá frutos. Alimenta outros.
E pode até ser polinizada, pelo beija-flor do exemplo… levando novas sementes para novos lugares.
Construir uma relação de amor com quem vemos no espelho, deve ser uma das tarefas mais difíceis dessa vida, até porque estamos em constante mudança, entrando e saindo de novos e velhos ciclos… mas, todo dia temos uma nova chance de semear o amor em nosso coração, e aprender a amar todas as versões podemos viver.
Uma resposta
Olha ela trazendo esse livro essencial!! Amei